"...Um dia minha mãe me falou de um filme americano que estava sendo muito comentado. E o definiu assim: um filme de caubói passado nos dias de hoje, em que os caubóis viajam pelos Estados Unidos não de cavalo, mas de moto. E nunca mais ninguém definiu melhor do que trata Easy Rider, a obra-prima de Dennis Hopper, ator e diretor americano que acaba de morrer. Dennis Hopper foi mais ator que diretor, e sempre brilhou em tudo que fez. Mas dirigiu um filme que mudou uma época e moldou outra. Será lembrado para sempre por esse filme hippie, sem o qual não existiriam Win Wenders, Walter Salles ou Sam Sheppard. E sem o qual eu não existiria também. Obrigado, Dennis Hopper, por me fazer existir. E obrigado também, mãe, por além de me fazer existir, ter me explicado do que tratava Easy Rider."
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Leia curiosidades e frases sobre Carlos Drummond de Andrade
Folha.com
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi um escritor de cartas compulsivo.
Reportagem da Folha publicada hoje descobriu alguns interlocutores postais do poeta.
Conheça abaixo algumas curiosidades sobre essa faceta do escritor mineiro, assim como frases de um crítico, um acadêmico e um poeta a respeito.
- Escrevia na maioria das vezes à mão, mas também usava com frequência a máquina de escrever.
- Ao final das cartas, costumava assinar "Carlos" ou "Drummond". Às vezes usava "Carlos Drummond". Raramente assinava o nome completo.
- Era um exímio arquivista. Guardava a maioria das cartas que recebia --quando necessário com anotações que ajudassem a lembrar a resposta que enviou.
- Também graças à faceta de bom arquivista, tem um dos maiores arquivos de correspondência pessoal do país, com 1.812 correspondentes. O inventário da correspondência de Vinicius de Moraes (também na Fundação Casa de Rui Barbosa) registra 714 correspondentes. O de Manuel Bandeira, no mesmo órgão, 132 correspondentes.
- Mário de Andrade, que dizia sofrer de "gigantismo epistolar" e foi um grande "amigo postal" de Drummond, é quem mais se aproxima do poeta. Em seu acervo no IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) da USP, há registrados 1.644 correspondentes.
- Entre os maiores correspondentes de Drummond estão Abgar Renault (453 cartas na Casa de Rui Barbosa, totalizando 541 folhas, de 1926 a 1987), Mário de Andrade (82 cartas no mesmo acervo, com 130 folhas, de 1926 a 1945) e Otto Lara Resende (128 cartas, 158 folhas, de 1943 a 1987).
FRASES SOBRE DRUMMOND MISSIVISTA
"Há várias questões na poesia dele que você percebe que foram colhidas com o tempo, pelo contato humano com gente que enriquece. Agora, tem que ter saco _e ele tinha. Ele detectava uma faísca e ia atrás dela"
Silviano Santiago, crítico literário, escritor e "drummondófilo"
"Há um respeito à figura humana muito bonito. Se uma pessoa te escreve, você precisa ter respeito por ela. Não existem mais os velhos senhores. Na geração deles isso é que fazia os homens dignos."
idem
"O que aproxima muito Drummond dessas pessoas [correspondentes] é a crônica, que é o diálogo mais próximo com o leitor. Isso, do cotidiano compartilhado, é resultado do comprometimento de Drummond com a correspondência _que é o espaço do diálogo intelectual, mas também da aproximação."
Marcos Antônio de Moraes, professor de literatura da USP e especialista no estudo da correspondência de escritores brasileiros
"Tanto Drummond quanto Mário [de Andrade] faziam da carta um lugar de sociabilidade afetiva. Não era só o cumprimento de uma responsabilidade social, mas um espaço para amizade."
idem
"Acho que é uma coisa de geração. Todos escreviam muito. A relação intelectual era muito intensa e tinha um prolongamento na vida afetiva. Isso se perdeu, todo mundo ficou profissional demais."
Eucanaã Ferraz, poeta e organizador de "Alguma Poesia: O Livro em Seu Tempo", edição comemorativa aos 80 anos de lançamento da primeira obra de Drummond (Instituto Moreira Salles)
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi um escritor de cartas compulsivo.
Reportagem da Folha publicada hoje descobriu alguns interlocutores postais do poeta.
Conheça abaixo algumas curiosidades sobre essa faceta do escritor mineiro, assim como frases de um crítico, um acadêmico e um poeta a respeito.
- Escrevia na maioria das vezes à mão, mas também usava com frequência a máquina de escrever.
- Ao final das cartas, costumava assinar "Carlos" ou "Drummond". Às vezes usava "Carlos Drummond". Raramente assinava o nome completo.
- Era um exímio arquivista. Guardava a maioria das cartas que recebia --quando necessário com anotações que ajudassem a lembrar a resposta que enviou.
- Também graças à faceta de bom arquivista, tem um dos maiores arquivos de correspondência pessoal do país, com 1.812 correspondentes. O inventário da correspondência de Vinicius de Moraes (também na Fundação Casa de Rui Barbosa) registra 714 correspondentes. O de Manuel Bandeira, no mesmo órgão, 132 correspondentes.
- Mário de Andrade, que dizia sofrer de "gigantismo epistolar" e foi um grande "amigo postal" de Drummond, é quem mais se aproxima do poeta. Em seu acervo no IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) da USP, há registrados 1.644 correspondentes.
- Entre os maiores correspondentes de Drummond estão Abgar Renault (453 cartas na Casa de Rui Barbosa, totalizando 541 folhas, de 1926 a 1987), Mário de Andrade (82 cartas no mesmo acervo, com 130 folhas, de 1926 a 1945) e Otto Lara Resende (128 cartas, 158 folhas, de 1943 a 1987).
FRASES SOBRE DRUMMOND MISSIVISTA
"Há várias questões na poesia dele que você percebe que foram colhidas com o tempo, pelo contato humano com gente que enriquece. Agora, tem que ter saco _e ele tinha. Ele detectava uma faísca e ia atrás dela"
Silviano Santiago, crítico literário, escritor e "drummondófilo"
"Há um respeito à figura humana muito bonito. Se uma pessoa te escreve, você precisa ter respeito por ela. Não existem mais os velhos senhores. Na geração deles isso é que fazia os homens dignos."
idem
"O que aproxima muito Drummond dessas pessoas [correspondentes] é a crônica, que é o diálogo mais próximo com o leitor. Isso, do cotidiano compartilhado, é resultado do comprometimento de Drummond com a correspondência _que é o espaço do diálogo intelectual, mas também da aproximação."
Marcos Antônio de Moraes, professor de literatura da USP e especialista no estudo da correspondência de escritores brasileiros
"Tanto Drummond quanto Mário [de Andrade] faziam da carta um lugar de sociabilidade afetiva. Não era só o cumprimento de uma responsabilidade social, mas um espaço para amizade."
idem
"Acho que é uma coisa de geração. Todos escreviam muito. A relação intelectual era muito intensa e tinha um prolongamento na vida afetiva. Isso se perdeu, todo mundo ficou profissional demais."
Eucanaã Ferraz, poeta e organizador de "Alguma Poesia: O Livro em Seu Tempo", edição comemorativa aos 80 anos de lançamento da primeira obra de Drummond (Instituto Moreira Salles)
BIOGRAFIA - Dilma Rousseff: Ilusões armadas
FOLHA.COM - Por Fernando Rodrigues
Numa viagem recente a Belo Horizonte, Dilma Rousseff encontrou uma velha amiga do colégio Sion, escola na qual cursou o ensino fundamental a partir de 1955 na capital mineira. "Ela me disse que só uma aluna da minha turma era psiquiatra, tirando também outras duas que eu conheço e seguiram carreira profissional." E o restante? "As outras todas eram donas de casa."
O Sion era um colégio de freiras. Só para meninas. Eram educadas para debutar nos bailes de 15 anos. Não que fosse uma escola fácil. Quando Dilma chegou com o uniforme azul marinho para o primeiro dia de aula, aos 7 anos, a professora escreveu um texto no quadro negro e ordenou: "Copiem".
"Eu tinha feito o jardim de infância no Isabela Hendrix. E lá não se ensinava a escrever. A gente pintava. Eu entrei no primeiro ano completamente analfabeta. E tinha uma porção de meninas de um colégio chamado 12 de Dezembro. Todas sabiam escrever. E eu, não. Minha mão suava, borrava o caderno. Eu tentava copiar como se fosse desenho sem saber o que estava copiando."
A partir desse episódio, Dilma diz ter desenvolvido "uma vontade de aprender a ler que era um horror". Foi incentivada pelo pai, o búlgaro naturalizado brasileiro Pétar Russév --cujo nome depois foi aportuguesado para Pedro Rousseff. "Ele foi uma pessoa que teve forte vínculo com todos os movimentos de transformação europeus", relatou a ministra da Casa Civil em uma das sessões de conversa que concedeu à Folha desde janeiro deste ano.
Primeiro, foram livros infantis, "uma coleção da Melhoramentos, uns livrinhos desse tamanhozinho, assim", diz Dilma, indicando que eram edições de bolso. Depois, os contos dos irmãos Grimm, os alemães que popularizaram fábulas como Cinderela, Branca de Neve e João e Maria. Mas logo as leituras foram mudando de tom. "Eu li "Germinal" aos 14 anos", diz, citando o mais famoso romance do francês Émile Zola, de 1885, conhecido pela descrição naturalista, bem crua, das condições de trabalho sub-humanas de mineiros de carvão.
"Ela teve uma formação intelectual precoce. Lia muito, de histórias em quadrinhos até Marcel Proust e Jean-Paul Sartre. Sou cinco anos mais velho, mas lembro-me dela no movimento secundarista já dando aula para futuros vestibulandos", diz Claudio Galeno Linhares, 67, que foi casado com a ministra nos anos 60.
Família
O pai de Dilma, Pedro Rousseff, veio para a América Latina na década de 30 do século passado. Viúvo, deixara um filho, Luben, na Bulgária. Passou por Salvador, Buenos Aires e acabou se instalando em São Paulo. Fez negócios na construção civil e com empreitadas para grandes empresas, como a Mannesmann.
Já estava havia cerca de dez anos no Brasil quando, numa viagem a Uberaba, conheceu a professora primária Dilma Jane Silva, nascida em Friburgo (RJ), mas radicada em solo mineiro. Casaram-se e tiveram três filhos. Igor nasceu em janeiro de 1947, Dilma, em dezembro do mesmo ano, e Zana, em 1951. A família escolheu Belo Horizonte para morar.
Levavam uma vida confortável. Passavam férias no Espírito Santo ou no Rio. Às vezes, viajavam de avião. Não era uma clássica família tradicional mineira. Os filhos não precisavam ter uma religião. Escolhiam uma fé se assim desejassem. O pai frequentava cassinos, gostava de fumar e beber socialmente.
Quando morreu, em 1962, Pedro deixou a família numa situação tranquila. Cerca de 15 bons imóveis garantem renda para a viúva Dilma Jane até hoje. Um dos apartamentos fica no centro de Belo Horizonte.
Foi exatamente esse apartamento o usado por Dilma Rousseff no final dos anos 60 para fazer reuniões com colegas militantes de esquerda e preparar ações a favor da luta armada contra a ditadura militar.
Ao terminar o ginásio, em 1963, Dilma prestou concurso para fazer o clássico em ciências sociais (um dos ramos do ensino médio daquela época). Em 1964 começou no Colégio Estadual Central. "Esse era "o" colégio de Belo Horizonte. Ali acontecia toda a agitação política estudantil da cidade", recorda-se Fernando Pimentel, 58, ex-prefeito de Belo Horizonte (2005-2008) e também ex-aluno do Estadual Central --no qual frequentava uma célula política comandada pela pré-candidata do PT ao Planalto.
Quando começou o clássico, em 1964, Dilma teve contato com militantes da esquerda organizada. "Foi a primeira vez que eu soube que as pessoas iam presas por crime de opinião", recorda-se. Em 31 de março daquele ano, o país sofreu um golpe de Estado. Uma ditadura militar se instalou. Ao se aproximar dos grupos de esquerda, Dilma recebeu um texto para ler. "Era um livrinho. Chamava-se "Acumulação primitiva". Era um dos capítulos mais vitais do "Capital", do Marx. Li e não entendi. Aí eu perguntei o seguinte: "afinal de contas, ele é a favor dos trabalhadores ou não?'"
É raro Dilma tratar de temas mais filosóficos e não inserir uma citação literária. Sobre religião, por exemplo, fala dos romances de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), permeados do conceito de que, "se Deus não existe, tudo é permitido". Ao ser presa acusada de subversão pela ditadura militar, em 1970, sua ficha preenchida pela polícia paulista continha a inscrição "não tem religião" em um dos campos.
Hoje, a ministra contemporiza. Numa sabatina na Folha, em 2007, disse: "Fiquei durante muito tempo meio descrente. Acredito que as diferentes religiosidades são fundamentais para as pessoas viverem. A gente não pode achar que existe aquele seu Deus". Mas ela acredita em Deus? "Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há? Eu me equilibro nela."
Militância
Egressa do Sion, Dilma tinha facilidade não apenas com literatura, mas também com matemática. No movimento estudantil secundarista, entre reuniões para discutir política e como seria a próxima passeata de protesto, a simpatizante da Polop dava aulas particulares. A Polop era como todos se referiam à Organização Revolucionária Marxista Política Operária. Mais tarde, em 1967, o grupo virou Comando de Libertação Nacional (Colina).
"O Zé Aníbal estudava no colégio Marconi e lá não tinha boa formação em matemática. Então fui eu estudar matemática com ele, na minha casa, todos os dias", diz Dilma. O Zé Aníbal que estudou com Dilma em 1966 é o deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), à época também um simpatizante da Polop em Belo Horizonte. Os dois passaram no vestibular e entraram juntos para a Face (Faculdade de Ciências Econômicas) da UFMG.
O futuro deputado tucano teve a ajuda da futura petista não só para aprender matemática. Na primeira semana de aula, em 1967, a Polop estava tentando destronar um pouco o grupo político de esquerda AP (Ação Popular), ligado à Igreja Católica, então dominante no movimento estudantil.
Zé Aníbal foi escolhido para ser candidato a representante dos primeiranistas. "A Dilma fez muita campanha para mim. Trabalhou como cabo eleitoral. Ganhei por um voto de diferença contra o candidato da AP", relata o hoje deputado federal pelo PSDB paulista.
Ser da Polop era estar por dentro do que se passava nas principais rodas políticas e culturais de Belo Horizonte. "A Polop misturava de tudo. Tinha Lênin, Marx, Rosa de Luxemburgo e uma pitada de Trotsky. Era o grupo mais intelectualizado. O pessoal da AP rezava o dia inteiro. Os do PC do B só liam Mao Tse-Tung. A Polop era um movimento iluminista", descreve Apolo Heringer, 67, um dos gurus da esquerda belo-horizontina nos anos 60.
Não era um grupo numeroso. Basta dizer que um dos principais veículos a conduzir os militantes para cima e para baixo era um Volkswagen sedã verde abacate. O Fusca foi o presente que Zé Aníbal ganhou do pai ao entrar na faculdade. Dilma andou muito naquele fusquinha.
A verdade é que as conversas eram sobre revolução e exploração dos trabalhadores, mas "pobre, mesmo, não tinha muitos, não". A lembrança é do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. "Todos eram, pelo menos, de classe média".
Foi numa sessão de cinema, "possivelmente um filme italiano, do [Federico] Fellini", que começou o namoro entre Dilma e o jornalista Cláudio Galeno de Magalhães Linhares.
Galeno já havia estado preso e tinha habilidade com produtos químicos. Seu pai era farmacêutico. "Andaram falando que eu fabricava bombas. Não tem nada disso. Fabriquei alguns protótipos de uma caixa com um dispositivo eletroquímico. Era para guardar documentos secretos. Se a repressão abrisse, a caixa entraria em combustão", diz. Só duas dessas engenhocas foram fabricadas. Uma acabou nas mãos da polícia. Não pegou fogo. O dispositivo não estava armado.
O casamento foi em setembro de 1967, só no civil. Familiares e amigos compareceram ao cartório. "Eram 30 ou 40 pessoas. Muitos já eram procurados. Se a polícia baixasse ali levaria alguns", diz Galeno, 25 anos à época. A noiva tinha 19.
"Aparelho"
Foram morar no apartamento da família Rousseff, no centro de BH. Eram tantas as reuniões políticas que o local era considerado quase um "aparelho" da Polop e do Colina --"aparelho" era o jargão para designar os endereços para encontros das organizações proscritas pela ditadura militar.
Foi nesse apartamento que Dilma e Galeno tiveram seus últimos dias antes de cair na clandestinidade. Jorge Nahas e outros militantes foram presos em janeiro de 1969, num confronto com a polícia. Morreram dois policiais. Os organismos de repressão mineiros começaram a caçar ostensivamente os militantes de esquerda -os subversivos, como se dizia.
O casal passou a dormir em locais diferentes. "Mas daí nos disseram que alguém havia escondido microfilmes nas caixas dos interruptores de quarto do apartamento. Eram fotos de locais usados em nossos treinamentos militares", disse Galeno à Folha em entrevista neste mês, em Belo Horizonte.
Com todo cuidado, entraram a pé pela garagem. Galeno descreve: "Olhamos pela janela e vimos uma caminhonete C14 e um Aero Willys, os dois de cor preta, da polícia. Ficamos em silêncio total, sem acender as luzes. Encontramos os microfilmes que nem eu nem a Dilma sabíamos da existência. O problema era como destruí-los".
Jogar no vaso sanitário e dar a descarga faria barulho. Queimar produziria fumaça. A solução foi desenrolar um cabide de arame enfiar os microfilmes nos ralos do apartamento. "Mas você imagine a tensão... Eles não sabiam que estávamos lá. Um policial subiu e tocou a campainha. Nós vimos que era um policial pela fresta de baixo da porta, com todo cuidado. Ele usava coturnos", relata Dilma.
Foi uma noite em claro. Galeno se lembra de terem levado colchões para a sala, em frente à porta. "Era uma espécie de barricada. Se entrassem atirando nós teríamos alguma proteção inicial mínima." Por volta das 6h do dia seguinte, um barulho no corredor externo chamou a atenção. Dilma relata: "Era a empregada do vizinho esperando o elevador. Pelo olho mágico deu para ver que ela levantou a saia, coçou a coxa e ajustou a meia. Uma mulher só faria aquilo no corredor se soubesse que estava sozinha. Olhamos pela janela e os carros da polícia não estavam lá."
Clandestinidade
Era o momento da troca de turno. "Eu disse: vamos nessa", conta Galeno. Dias depois os dois já estavam no Rio, clandestinos, usando nomes falsos e pulando de casa em casa. O casamento também estava chegando ao final. Dilma ficou no Rio. O marido foi para o Rio Grande do Sul, atendendo a um chamado do Colina. No dia 1º de janeiro de 1970, ele participou de um sequestro de um avião em Montevidéu, no Uruguai, e refugiou-se em Cuba.
O ano de 1969 foi intenso para Dilma. Ela usou vários codinomes, entre os quais Luiza, Wanda, Marina, Estela, Maria e Lúcia. Conheceu seu segundo marido, o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo. Quando se viram pela primeira vez, ele tinha 31 anos. Dilma estava com 21. "Sou 9 anos e 10 meses mais velho que a Dilma", calculou Araújo numa das conversas que teve com a Folha em Porto Alegre, onde mora e trabalha até hoje.
Era um comunista que conhecia União Soviética, Polônia, Checoslováquia. Havia militado ao lado de Francisco Julião nas Ligas Camponesas, no Nordeste. Algumas semanas depois de se conhecerem, no início de 1969, Araújo e Dilma já estavam vivendo juntos. "Foi uma paixão. Ela era muito linda. Ela era uma mulher muito bonita. Mesmo usando óculos." Dilma tinha 9 graus de miopia. Hoje, usa lentes de contato.
VAR-Palmares
Naquele final de anos 60, a hoje ministra participou de reuniões secretas em São Paulo e no Rio nas quais as organizações de esquerda armada iam se fundindo ou rachando conforme a ideologia do momento. "O livrinho do Régis Debray, "A revolução na revolução", colocou fogo em todos. O texto chegou mimeografado para nós, contrabandeado do Uruguai. Muitos acharam que o foquismo era a solução. Por um momento, a Dilma achou isso também", diz Apolo Heringer.
Pensador de esquerda francês, Debray morou em Cuba, conheceu Fidel Castro e Che Guevara. Difundiu a teoria do foco. Heringer, hoje um pacifista e ambientalista, descreve: "Era a tese da coluna móvel estratégica. Seria o organizador coletivo para movimentar as massas, como um motor. Atuava-se nas cidades e refugiava-se nas florestas, derrotando o Exército aos poucos, a cada combate, conquistando adesão das massas. Não tinha a menor base na realidade brasileira". Deu-se então a fusão do Colina, de Dilma e Araújo, com a Vanguarda Popular Revolucionária, de Carlos Lamarca. A nova organização, criada em meados de 1969, chamava-se Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).
O novo grupo falava em combater a ditadura, mas a alternativa não era propriamente democracia. Em 1970, um militante foi preso em Goiânia com um estatuto da organização. A VAR-Palmares se definia como instituição "político-militar de caráter partidário, marxista-leninista, que se propõe a cumprir todas as tarefas da guerra revolucionária e da construção do Partido da Classe Operária, com o objetivo de tomar o poder e construir o socialismo".
Quem descumprisse o cânone interno ficava sujeito a sanções de "censura, verbal ou escrita", "expulsão" e até "justiçamento" --essa pena de morte seria "aplicada por um tribunal revolucionário", e infrator poderia ou não "estar presente ou tomar conhecimento" da pena.
Treinamento militar
A associação entre Colina e VPR durou poucos meses. Lamarca queria aprofundar as ações armadas. Outros divergiam. Racharam antes do final de 1969. Mas ainda deu tempo para Dilma ir ao Uruguai clandestinamente ser treinada em técnicas militares -ela não precisa o momento exato.
Em março de 2009, à Folha, Dilma havia negado esse treinamento de forma categórica: "Nunca fiz nem treinamento no exterior nem ação armada".
Confrontada com a contradição, alega que, à época, não queria falar de atos envolvendo outros países. Resolveu fazer a revelação depois da eleição de José Mujica, ex-guerrilheiro da organização Tupamaros, que lutou contra a ditadura militar uruguaia. "O presidente Mujica está ali e sabe como é que foram os anos 70", diz Dilma.
A seguir, seu relato, inédito, sobre o treinamento militar --e não de "guerrilha", diz ela.
"Era perto daqui, no Uruguai. Geralmente a gente fazia numa fazenda. Era mais seguro você fazer na fronteira. Eu estava no Rio e fui a Porto Alegre. Foi do lado de lá da fronteira. Ia pouca gente. Na minha vez foram cinco ou seis pessoas. Eu usava uns óculos com lentes bem grossas. Eu nunca tive pontaria, mas pegava bem. Era uma ótima limpadora. O meu treinamento foi muito simplório. Não se atirava muito. Montava-se e desmontava-se [armas]. Também [havia treinamento] de segurança. Você olha como é que faz para não ser seguido. Eles chamavam de treinamento de inteligência."
Numa viagem recente a Belo Horizonte, Dilma Rousseff encontrou uma velha amiga do colégio Sion, escola na qual cursou o ensino fundamental a partir de 1955 na capital mineira. "Ela me disse que só uma aluna da minha turma era psiquiatra, tirando também outras duas que eu conheço e seguiram carreira profissional." E o restante? "As outras todas eram donas de casa."
O Sion era um colégio de freiras. Só para meninas. Eram educadas para debutar nos bailes de 15 anos. Não que fosse uma escola fácil. Quando Dilma chegou com o uniforme azul marinho para o primeiro dia de aula, aos 7 anos, a professora escreveu um texto no quadro negro e ordenou: "Copiem".
"Eu tinha feito o jardim de infância no Isabela Hendrix. E lá não se ensinava a escrever. A gente pintava. Eu entrei no primeiro ano completamente analfabeta. E tinha uma porção de meninas de um colégio chamado 12 de Dezembro. Todas sabiam escrever. E eu, não. Minha mão suava, borrava o caderno. Eu tentava copiar como se fosse desenho sem saber o que estava copiando."
A partir desse episódio, Dilma diz ter desenvolvido "uma vontade de aprender a ler que era um horror". Foi incentivada pelo pai, o búlgaro naturalizado brasileiro Pétar Russév --cujo nome depois foi aportuguesado para Pedro Rousseff. "Ele foi uma pessoa que teve forte vínculo com todos os movimentos de transformação europeus", relatou a ministra da Casa Civil em uma das sessões de conversa que concedeu à Folha desde janeiro deste ano.
Primeiro, foram livros infantis, "uma coleção da Melhoramentos, uns livrinhos desse tamanhozinho, assim", diz Dilma, indicando que eram edições de bolso. Depois, os contos dos irmãos Grimm, os alemães que popularizaram fábulas como Cinderela, Branca de Neve e João e Maria. Mas logo as leituras foram mudando de tom. "Eu li "Germinal" aos 14 anos", diz, citando o mais famoso romance do francês Émile Zola, de 1885, conhecido pela descrição naturalista, bem crua, das condições de trabalho sub-humanas de mineiros de carvão.
"Ela teve uma formação intelectual precoce. Lia muito, de histórias em quadrinhos até Marcel Proust e Jean-Paul Sartre. Sou cinco anos mais velho, mas lembro-me dela no movimento secundarista já dando aula para futuros vestibulandos", diz Claudio Galeno Linhares, 67, que foi casado com a ministra nos anos 60.
Família
O pai de Dilma, Pedro Rousseff, veio para a América Latina na década de 30 do século passado. Viúvo, deixara um filho, Luben, na Bulgária. Passou por Salvador, Buenos Aires e acabou se instalando em São Paulo. Fez negócios na construção civil e com empreitadas para grandes empresas, como a Mannesmann.
Já estava havia cerca de dez anos no Brasil quando, numa viagem a Uberaba, conheceu a professora primária Dilma Jane Silva, nascida em Friburgo (RJ), mas radicada em solo mineiro. Casaram-se e tiveram três filhos. Igor nasceu em janeiro de 1947, Dilma, em dezembro do mesmo ano, e Zana, em 1951. A família escolheu Belo Horizonte para morar.
Levavam uma vida confortável. Passavam férias no Espírito Santo ou no Rio. Às vezes, viajavam de avião. Não era uma clássica família tradicional mineira. Os filhos não precisavam ter uma religião. Escolhiam uma fé se assim desejassem. O pai frequentava cassinos, gostava de fumar e beber socialmente.
Quando morreu, em 1962, Pedro deixou a família numa situação tranquila. Cerca de 15 bons imóveis garantem renda para a viúva Dilma Jane até hoje. Um dos apartamentos fica no centro de Belo Horizonte.
Foi exatamente esse apartamento o usado por Dilma Rousseff no final dos anos 60 para fazer reuniões com colegas militantes de esquerda e preparar ações a favor da luta armada contra a ditadura militar.
Ao terminar o ginásio, em 1963, Dilma prestou concurso para fazer o clássico em ciências sociais (um dos ramos do ensino médio daquela época). Em 1964 começou no Colégio Estadual Central. "Esse era "o" colégio de Belo Horizonte. Ali acontecia toda a agitação política estudantil da cidade", recorda-se Fernando Pimentel, 58, ex-prefeito de Belo Horizonte (2005-2008) e também ex-aluno do Estadual Central --no qual frequentava uma célula política comandada pela pré-candidata do PT ao Planalto.
Quando começou o clássico, em 1964, Dilma teve contato com militantes da esquerda organizada. "Foi a primeira vez que eu soube que as pessoas iam presas por crime de opinião", recorda-se. Em 31 de março daquele ano, o país sofreu um golpe de Estado. Uma ditadura militar se instalou. Ao se aproximar dos grupos de esquerda, Dilma recebeu um texto para ler. "Era um livrinho. Chamava-se "Acumulação primitiva". Era um dos capítulos mais vitais do "Capital", do Marx. Li e não entendi. Aí eu perguntei o seguinte: "afinal de contas, ele é a favor dos trabalhadores ou não?'"
É raro Dilma tratar de temas mais filosóficos e não inserir uma citação literária. Sobre religião, por exemplo, fala dos romances de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), permeados do conceito de que, "se Deus não existe, tudo é permitido". Ao ser presa acusada de subversão pela ditadura militar, em 1970, sua ficha preenchida pela polícia paulista continha a inscrição "não tem religião" em um dos campos.
Hoje, a ministra contemporiza. Numa sabatina na Folha, em 2007, disse: "Fiquei durante muito tempo meio descrente. Acredito que as diferentes religiosidades são fundamentais para as pessoas viverem. A gente não pode achar que existe aquele seu Deus". Mas ela acredita em Deus? "Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há? Eu me equilibro nela."
Militância
Egressa do Sion, Dilma tinha facilidade não apenas com literatura, mas também com matemática. No movimento estudantil secundarista, entre reuniões para discutir política e como seria a próxima passeata de protesto, a simpatizante da Polop dava aulas particulares. A Polop era como todos se referiam à Organização Revolucionária Marxista Política Operária. Mais tarde, em 1967, o grupo virou Comando de Libertação Nacional (Colina).
"O Zé Aníbal estudava no colégio Marconi e lá não tinha boa formação em matemática. Então fui eu estudar matemática com ele, na minha casa, todos os dias", diz Dilma. O Zé Aníbal que estudou com Dilma em 1966 é o deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), à época também um simpatizante da Polop em Belo Horizonte. Os dois passaram no vestibular e entraram juntos para a Face (Faculdade de Ciências Econômicas) da UFMG.
O futuro deputado tucano teve a ajuda da futura petista não só para aprender matemática. Na primeira semana de aula, em 1967, a Polop estava tentando destronar um pouco o grupo político de esquerda AP (Ação Popular), ligado à Igreja Católica, então dominante no movimento estudantil.
Zé Aníbal foi escolhido para ser candidato a representante dos primeiranistas. "A Dilma fez muita campanha para mim. Trabalhou como cabo eleitoral. Ganhei por um voto de diferença contra o candidato da AP", relata o hoje deputado federal pelo PSDB paulista.
Ser da Polop era estar por dentro do que se passava nas principais rodas políticas e culturais de Belo Horizonte. "A Polop misturava de tudo. Tinha Lênin, Marx, Rosa de Luxemburgo e uma pitada de Trotsky. Era o grupo mais intelectualizado. O pessoal da AP rezava o dia inteiro. Os do PC do B só liam Mao Tse-Tung. A Polop era um movimento iluminista", descreve Apolo Heringer, 67, um dos gurus da esquerda belo-horizontina nos anos 60.
Não era um grupo numeroso. Basta dizer que um dos principais veículos a conduzir os militantes para cima e para baixo era um Volkswagen sedã verde abacate. O Fusca foi o presente que Zé Aníbal ganhou do pai ao entrar na faculdade. Dilma andou muito naquele fusquinha.
A verdade é que as conversas eram sobre revolução e exploração dos trabalhadores, mas "pobre, mesmo, não tinha muitos, não". A lembrança é do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. "Todos eram, pelo menos, de classe média".
Foi numa sessão de cinema, "possivelmente um filme italiano, do [Federico] Fellini", que começou o namoro entre Dilma e o jornalista Cláudio Galeno de Magalhães Linhares.
Galeno já havia estado preso e tinha habilidade com produtos químicos. Seu pai era farmacêutico. "Andaram falando que eu fabricava bombas. Não tem nada disso. Fabriquei alguns protótipos de uma caixa com um dispositivo eletroquímico. Era para guardar documentos secretos. Se a repressão abrisse, a caixa entraria em combustão", diz. Só duas dessas engenhocas foram fabricadas. Uma acabou nas mãos da polícia. Não pegou fogo. O dispositivo não estava armado.
O casamento foi em setembro de 1967, só no civil. Familiares e amigos compareceram ao cartório. "Eram 30 ou 40 pessoas. Muitos já eram procurados. Se a polícia baixasse ali levaria alguns", diz Galeno, 25 anos à época. A noiva tinha 19.
"Aparelho"
Foram morar no apartamento da família Rousseff, no centro de BH. Eram tantas as reuniões políticas que o local era considerado quase um "aparelho" da Polop e do Colina --"aparelho" era o jargão para designar os endereços para encontros das organizações proscritas pela ditadura militar.
Foi nesse apartamento que Dilma e Galeno tiveram seus últimos dias antes de cair na clandestinidade. Jorge Nahas e outros militantes foram presos em janeiro de 1969, num confronto com a polícia. Morreram dois policiais. Os organismos de repressão mineiros começaram a caçar ostensivamente os militantes de esquerda -os subversivos, como se dizia.
O casal passou a dormir em locais diferentes. "Mas daí nos disseram que alguém havia escondido microfilmes nas caixas dos interruptores de quarto do apartamento. Eram fotos de locais usados em nossos treinamentos militares", disse Galeno à Folha em entrevista neste mês, em Belo Horizonte.
Com todo cuidado, entraram a pé pela garagem. Galeno descreve: "Olhamos pela janela e vimos uma caminhonete C14 e um Aero Willys, os dois de cor preta, da polícia. Ficamos em silêncio total, sem acender as luzes. Encontramos os microfilmes que nem eu nem a Dilma sabíamos da existência. O problema era como destruí-los".
Jogar no vaso sanitário e dar a descarga faria barulho. Queimar produziria fumaça. A solução foi desenrolar um cabide de arame enfiar os microfilmes nos ralos do apartamento. "Mas você imagine a tensão... Eles não sabiam que estávamos lá. Um policial subiu e tocou a campainha. Nós vimos que era um policial pela fresta de baixo da porta, com todo cuidado. Ele usava coturnos", relata Dilma.
Foi uma noite em claro. Galeno se lembra de terem levado colchões para a sala, em frente à porta. "Era uma espécie de barricada. Se entrassem atirando nós teríamos alguma proteção inicial mínima." Por volta das 6h do dia seguinte, um barulho no corredor externo chamou a atenção. Dilma relata: "Era a empregada do vizinho esperando o elevador. Pelo olho mágico deu para ver que ela levantou a saia, coçou a coxa e ajustou a meia. Uma mulher só faria aquilo no corredor se soubesse que estava sozinha. Olhamos pela janela e os carros da polícia não estavam lá."
Clandestinidade
Era o momento da troca de turno. "Eu disse: vamos nessa", conta Galeno. Dias depois os dois já estavam no Rio, clandestinos, usando nomes falsos e pulando de casa em casa. O casamento também estava chegando ao final. Dilma ficou no Rio. O marido foi para o Rio Grande do Sul, atendendo a um chamado do Colina. No dia 1º de janeiro de 1970, ele participou de um sequestro de um avião em Montevidéu, no Uruguai, e refugiou-se em Cuba.
O ano de 1969 foi intenso para Dilma. Ela usou vários codinomes, entre os quais Luiza, Wanda, Marina, Estela, Maria e Lúcia. Conheceu seu segundo marido, o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo. Quando se viram pela primeira vez, ele tinha 31 anos. Dilma estava com 21. "Sou 9 anos e 10 meses mais velho que a Dilma", calculou Araújo numa das conversas que teve com a Folha em Porto Alegre, onde mora e trabalha até hoje.
Era um comunista que conhecia União Soviética, Polônia, Checoslováquia. Havia militado ao lado de Francisco Julião nas Ligas Camponesas, no Nordeste. Algumas semanas depois de se conhecerem, no início de 1969, Araújo e Dilma já estavam vivendo juntos. "Foi uma paixão. Ela era muito linda. Ela era uma mulher muito bonita. Mesmo usando óculos." Dilma tinha 9 graus de miopia. Hoje, usa lentes de contato.
VAR-Palmares
Naquele final de anos 60, a hoje ministra participou de reuniões secretas em São Paulo e no Rio nas quais as organizações de esquerda armada iam se fundindo ou rachando conforme a ideologia do momento. "O livrinho do Régis Debray, "A revolução na revolução", colocou fogo em todos. O texto chegou mimeografado para nós, contrabandeado do Uruguai. Muitos acharam que o foquismo era a solução. Por um momento, a Dilma achou isso também", diz Apolo Heringer.
Pensador de esquerda francês, Debray morou em Cuba, conheceu Fidel Castro e Che Guevara. Difundiu a teoria do foco. Heringer, hoje um pacifista e ambientalista, descreve: "Era a tese da coluna móvel estratégica. Seria o organizador coletivo para movimentar as massas, como um motor. Atuava-se nas cidades e refugiava-se nas florestas, derrotando o Exército aos poucos, a cada combate, conquistando adesão das massas. Não tinha a menor base na realidade brasileira". Deu-se então a fusão do Colina, de Dilma e Araújo, com a Vanguarda Popular Revolucionária, de Carlos Lamarca. A nova organização, criada em meados de 1969, chamava-se Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).
O novo grupo falava em combater a ditadura, mas a alternativa não era propriamente democracia. Em 1970, um militante foi preso em Goiânia com um estatuto da organização. A VAR-Palmares se definia como instituição "político-militar de caráter partidário, marxista-leninista, que se propõe a cumprir todas as tarefas da guerra revolucionária e da construção do Partido da Classe Operária, com o objetivo de tomar o poder e construir o socialismo".
Quem descumprisse o cânone interno ficava sujeito a sanções de "censura, verbal ou escrita", "expulsão" e até "justiçamento" --essa pena de morte seria "aplicada por um tribunal revolucionário", e infrator poderia ou não "estar presente ou tomar conhecimento" da pena.
Treinamento militar
A associação entre Colina e VPR durou poucos meses. Lamarca queria aprofundar as ações armadas. Outros divergiam. Racharam antes do final de 1969. Mas ainda deu tempo para Dilma ir ao Uruguai clandestinamente ser treinada em técnicas militares -ela não precisa o momento exato.
Em março de 2009, à Folha, Dilma havia negado esse treinamento de forma categórica: "Nunca fiz nem treinamento no exterior nem ação armada".
Confrontada com a contradição, alega que, à época, não queria falar de atos envolvendo outros países. Resolveu fazer a revelação depois da eleição de José Mujica, ex-guerrilheiro da organização Tupamaros, que lutou contra a ditadura militar uruguaia. "O presidente Mujica está ali e sabe como é que foram os anos 70", diz Dilma.
A seguir, seu relato, inédito, sobre o treinamento militar --e não de "guerrilha", diz ela.
"Era perto daqui, no Uruguai. Geralmente a gente fazia numa fazenda. Era mais seguro você fazer na fronteira. Eu estava no Rio e fui a Porto Alegre. Foi do lado de lá da fronteira. Ia pouca gente. Na minha vez foram cinco ou seis pessoas. Eu usava uns óculos com lentes bem grossas. Eu nunca tive pontaria, mas pegava bem. Era uma ótima limpadora. O meu treinamento foi muito simplório. Não se atirava muito. Montava-se e desmontava-se [armas]. Também [havia treinamento] de segurança. Você olha como é que faz para não ser seguido. Eles chamavam de treinamento de inteligência."
Justiça do Irã confirma sentença de 50 chibatadas contra jornalista
Folha.com
Uma corte iraniana confirmou uma sentença de três anos e meio de detenção e 50 chibatadas contra um jornalista e cineasta condenado por propaganda anti-Estado e por insultos ao líder supremo, informou a mídia.
Mohammad Nourizad foi detido no fim do ano passado após publicar em seu blog na Internet cartas que foram consideradas desrespeitosas à maior autoridade do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e outras importantes autoridades.
Blogs opositores disseram que ele apanhou enquanto esteve detido em uma penitenciária no Irã, onde deu início à greve de fome.
A confirmação de sua sentença ocorre no momento em que autoridades se preparam para o primeiro aniversário, em 12 de junho, da polêmica eleição presidencial que levou milhares de pessoas às ruas em protesto em meio a temores sobre fraude.
Em um sinal de que o governo possa estar apertando o cerco aos militantes na véspera de possíveis protestos para celebrar a data, dois jornalistas que trabalham para jornais moderados foram detidos na noite de segunda-feira (31) e enviados à cadeia Evin, informou o jornal Sharq.
Não foram explicados os motivos para as prisões.
Na semana passada, o famoso cineasta Jafar Panahi, partidário do líder opositor Mirhossein Mousavi foi libertado da prisão após 88 dias preso e uma semana em greve de fome, mediante o pagamento de fiança.
O cineasta foi detido em março sob a acusação de ter preparado um filme sobre as manifestações posteriores à controversa reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad em 2009.
Do Blog: é este o país que Lula gosta de ser amigo e de defender posições nucleares. Se um país não respeita a palavra de um cidadão, como poderia respeitar de outra nação. Lula é um mal-intencionado inocente.
Uma corte iraniana confirmou uma sentença de três anos e meio de detenção e 50 chibatadas contra um jornalista e cineasta condenado por propaganda anti-Estado e por insultos ao líder supremo, informou a mídia.
Mohammad Nourizad foi detido no fim do ano passado após publicar em seu blog na Internet cartas que foram consideradas desrespeitosas à maior autoridade do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e outras importantes autoridades.
Blogs opositores disseram que ele apanhou enquanto esteve detido em uma penitenciária no Irã, onde deu início à greve de fome.
A confirmação de sua sentença ocorre no momento em que autoridades se preparam para o primeiro aniversário, em 12 de junho, da polêmica eleição presidencial que levou milhares de pessoas às ruas em protesto em meio a temores sobre fraude.
Em um sinal de que o governo possa estar apertando o cerco aos militantes na véspera de possíveis protestos para celebrar a data, dois jornalistas que trabalham para jornais moderados foram detidos na noite de segunda-feira (31) e enviados à cadeia Evin, informou o jornal Sharq.
Não foram explicados os motivos para as prisões.
Na semana passada, o famoso cineasta Jafar Panahi, partidário do líder opositor Mirhossein Mousavi foi libertado da prisão após 88 dias preso e uma semana em greve de fome, mediante o pagamento de fiança.
O cineasta foi detido em março sob a acusação de ter preparado um filme sobre as manifestações posteriores à controversa reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad em 2009.
Do Blog: é este o país que Lula gosta de ser amigo e de defender posições nucleares. Se um país não respeita a palavra de um cidadão, como poderia respeitar de outra nação. Lula é um mal-intencionado inocente.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Praia da Armação, em Florianópolis (SC), está desaparecendo
Atração turística de Florianópolis (SC), a praia da Armação do Pântano Sul está desaparecendo. A faixa de areia, que chegava a 50 metros há dez anos, agora tem menos de oito metros.
A conclusão é de um estudo de Rodrigo Sato, presidente da Associação dos Geólogos de Santa Catarina.
Nas últimas semanas, nem esses oito metros de areia puderam ser vistos. A praia foi completamente coberta com as ressacas, o que expôs as casas de veraneio --comuns na Armação-- à fúria do mar.
Cinco delas foram destruídas e outras 30 sofreram danos, segundo a Defesa Civil.
Sato diz que a origem do problema está na ação humana: a construção de um molhe (barreira de pedras que divide o mar) na foz de um rio da região para proporcionar acesso a uma ilha.
De acordo com o geólogo, desde que a construção foi expandida, há sete anos, a faixa de areia foi desaparecendo num ritmo veloz.
Na praia vizinha, Matadeiro, onde o rio passou a depositar os sedimentos após a construção do molhe, ocorreu o contrário: a faixa está crescendo. "A prefeitura foi avisada sobre a situação, mas nada foi feito", diz Sato.
Ele afirma que a mesma situação começa a ocorrer na praia da Barra da Lagoa, no norte da ilha de Santa Catarina, onde fica Florianópolis: nove construções foram destruídas nas últimas ressacas. Lá, também existe um molhe e a faixa de areia encolheu 50 metros nos últimos 16 anos.
O estudo de Sato se baseou na análise de mapas e fotos da praia da Armação dos últimos 70 anos. A pesquisa foi entregue à Defesa Civil.
Para Sato, o desaparecimento da faixa de areia não se deve às ressacas. "Não é o mar que avança, é a areia da praia que está sumindo", diz.
Outro lado
O secretário de Obras de Florianópolis, José Nilton Alexandre, discorda. "Ele [o molhe] está lá há muitos anos. Ouvimos vários engenheiros que afirmaram coisas diferentes." A prefeitura não sabe quem fez o molhe.
A prioridade, diz, é evitar que a lagoa do Peri, no interior da Armação e que abastece de água 110 mil habitantes, seja contaminada por sal devido ao avanço do mar.
A prefeitura já começou a erguer um muro com 1.750 m de extensão para proteger as casas das ondas. O uso de dragas para engordar a faixa de areia também é cogitado
A conclusão é de um estudo de Rodrigo Sato, presidente da Associação dos Geólogos de Santa Catarina.
Nas últimas semanas, nem esses oito metros de areia puderam ser vistos. A praia foi completamente coberta com as ressacas, o que expôs as casas de veraneio --comuns na Armação-- à fúria do mar.
Cinco delas foram destruídas e outras 30 sofreram danos, segundo a Defesa Civil.
Sato diz que a origem do problema está na ação humana: a construção de um molhe (barreira de pedras que divide o mar) na foz de um rio da região para proporcionar acesso a uma ilha.
De acordo com o geólogo, desde que a construção foi expandida, há sete anos, a faixa de areia foi desaparecendo num ritmo veloz.
Na praia vizinha, Matadeiro, onde o rio passou a depositar os sedimentos após a construção do molhe, ocorreu o contrário: a faixa está crescendo. "A prefeitura foi avisada sobre a situação, mas nada foi feito", diz Sato.
Ele afirma que a mesma situação começa a ocorrer na praia da Barra da Lagoa, no norte da ilha de Santa Catarina, onde fica Florianópolis: nove construções foram destruídas nas últimas ressacas. Lá, também existe um molhe e a faixa de areia encolheu 50 metros nos últimos 16 anos.
O estudo de Sato se baseou na análise de mapas e fotos da praia da Armação dos últimos 70 anos. A pesquisa foi entregue à Defesa Civil.
Para Sato, o desaparecimento da faixa de areia não se deve às ressacas. "Não é o mar que avança, é a areia da praia que está sumindo", diz.
Outro lado
O secretário de Obras de Florianópolis, José Nilton Alexandre, discorda. "Ele [o molhe] está lá há muitos anos. Ouvimos vários engenheiros que afirmaram coisas diferentes." A prefeitura não sabe quem fez o molhe.
A prioridade, diz, é evitar que a lagoa do Peri, no interior da Armação e que abastece de água 110 mil habitantes, seja contaminada por sal devido ao avanço do mar.
A prefeitura já começou a erguer um muro com 1.750 m de extensão para proteger as casas das ondas. O uso de dragas para engordar a faixa de areia também é cogitado
Logo da Copa de 2014 terá Taça Fifa nas cores verde e amarelo
terça-feira, 25 de maio de 2010
Alérgicos têm menos chance de ter câncer
Revista Veja
Para os que sofrem com a alergia, uma boa notícia: cientistas de diversas universidades americanas sugerem que os alérgicos têm menos chance de desenvolver câncer. De acordo com a pesquisa, as reações adversas estimulam o sistema imunológico, ajudando a evitar diversos tipo de tumor.
Segundo a Universidade Texas Tech, os asmáticos têm 30% menos chance de ter câncer de ovário. Já um estudo coordenado pela Universidade Cornell aponta que as crianças com alergia a substâncias transportadas pelo vento, como a poeira, são 40% menos propensas a desenvolver leucemia.
Os cientistas comemoram os resultados, mas afirmam que mais estudos são necessários. "É difícil provar a ligação (entre alergia e câncer) e vi muita gente cética quanto a isso, mas o conceito existe e as pesquisas nos ajudam", afirma Ronald Crystal da Universidade Cornell. "As alergias geralmente ativam o nosso sistema imunológico", acrescenta.
Benefícios - Os médicos da Cornell destacam ainda que as alergias podem reduzir o risco de uma criança ter câncer de garganta, pele, pulmão e intestino. Na Universidade do Minnesota, pesquisadores apontam que as alergias podem diminuir os riscos de linfoma não-Hodgkin e câncer de estômago e cientistas de Harvard observaram uma "intensa relação" entre o câncer no cérebro e a asma, a eczema, a febre de feno e outras alergias. Um estudo canadense ainda sugere que os alérgicos têm 58% menos probabilidade de desenvolver câncer de pâncreas.
Para os que sofrem com a alergia, uma boa notícia: cientistas de diversas universidades americanas sugerem que os alérgicos têm menos chance de desenvolver câncer. De acordo com a pesquisa, as reações adversas estimulam o sistema imunológico, ajudando a evitar diversos tipo de tumor.
Segundo a Universidade Texas Tech, os asmáticos têm 30% menos chance de ter câncer de ovário. Já um estudo coordenado pela Universidade Cornell aponta que as crianças com alergia a substâncias transportadas pelo vento, como a poeira, são 40% menos propensas a desenvolver leucemia.
Os cientistas comemoram os resultados, mas afirmam que mais estudos são necessários. "É difícil provar a ligação (entre alergia e câncer) e vi muita gente cética quanto a isso, mas o conceito existe e as pesquisas nos ajudam", afirma Ronald Crystal da Universidade Cornell. "As alergias geralmente ativam o nosso sistema imunológico", acrescenta.
Benefícios - Os médicos da Cornell destacam ainda que as alergias podem reduzir o risco de uma criança ter câncer de garganta, pele, pulmão e intestino. Na Universidade do Minnesota, pesquisadores apontam que as alergias podem diminuir os riscos de linfoma não-Hodgkin e câncer de estômago e cientistas de Harvard observaram uma "intensa relação" entre o câncer no cérebro e a asma, a eczema, a febre de feno e outras alergias. Um estudo canadense ainda sugere que os alérgicos têm 58% menos probabilidade de desenvolver câncer de pâncreas.
Emissões globais de CO2 vão subir 43% até 2035, diz EUA
Revista Veja
As emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2) resultantes da queima de carvão, petróleo e gás natural devem subir 43% até 2035, disse o principal órgão dos EUA que faz previsões sobre consumo de energia, a não ser que sejam selados acordos globais para reduzir a emissão dos gases responsáveis pelo aquecimento do planeta.
As emissões globais de CO2 de fontes combustíveis fósseis devem subir de 29,7 bilhões de toneladas em 2007 para 42,4 bilhões de toneladas em 2035, disse a Administração de Informações sobre Energia (EIA, na sigla em inglês) em seu relatório anual sobre as perspectivas energéticas de longo prazo.
Boa parte desse aumento vai ocorrer em países em processo acelerado de desenvolvimento, como China e Índia, onde se prevê que a demanda por eletricidade suba vertiginosamente. "Com crescimento econômico forte e forte dependência contínua de combustíveis fósseis previstos para a maioria dás economias não integrantes da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), dentro das políticas vigentes, boa parte do aumento projetado das emissões de dióxido de carbono ocorre entre esses países em desenvolvimento", diz o relatório da EIA.
Carvão - Na ausência de políticas nacionais para emissões e de acordos internacionais com força de lei para combater as mudanças climáticas, o consumo global de carvão está previsto para subir de 132 quatrilhões de unidades térmicas britânicas (BTUs) em 2007 para 206 quatrilhões de BTUs em 2035, disse a EIA.
Os países ricos e os países em desenvolvimento vêm encontrando dificuldade em acordar um pacto que reduza as emissões de gases estufa o suficiente para prevenir as estiagens, ondas de calor e enchentes previstas para ocorrer em função do aquecimento global.
A lei ambiental americana, que se encontra paralisada e que, se for aprovada, poderá ajudar a unir os países, enfrenta futuro incerto, já que tem a oposição de parlamentares de Estados produtores de carvão e petróleo. O país é o segundo maior emissor de gases-estufa no mundo, atrás apenas da China.
As emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2) resultantes da queima de carvão, petróleo e gás natural devem subir 43% até 2035, disse o principal órgão dos EUA que faz previsões sobre consumo de energia, a não ser que sejam selados acordos globais para reduzir a emissão dos gases responsáveis pelo aquecimento do planeta.
As emissões globais de CO2 de fontes combustíveis fósseis devem subir de 29,7 bilhões de toneladas em 2007 para 42,4 bilhões de toneladas em 2035, disse a Administração de Informações sobre Energia (EIA, na sigla em inglês) em seu relatório anual sobre as perspectivas energéticas de longo prazo.
Boa parte desse aumento vai ocorrer em países em processo acelerado de desenvolvimento, como China e Índia, onde se prevê que a demanda por eletricidade suba vertiginosamente. "Com crescimento econômico forte e forte dependência contínua de combustíveis fósseis previstos para a maioria dás economias não integrantes da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), dentro das políticas vigentes, boa parte do aumento projetado das emissões de dióxido de carbono ocorre entre esses países em desenvolvimento", diz o relatório da EIA.
Carvão - Na ausência de políticas nacionais para emissões e de acordos internacionais com força de lei para combater as mudanças climáticas, o consumo global de carvão está previsto para subir de 132 quatrilhões de unidades térmicas britânicas (BTUs) em 2007 para 206 quatrilhões de BTUs em 2035, disse a EIA.
Os países ricos e os países em desenvolvimento vêm encontrando dificuldade em acordar um pacto que reduza as emissões de gases estufa o suficiente para prevenir as estiagens, ondas de calor e enchentes previstas para ocorrer em função do aquecimento global.
A lei ambiental americana, que se encontra paralisada e que, se for aprovada, poderá ajudar a unir os países, enfrenta futuro incerto, já que tem a oposição de parlamentares de Estados produtores de carvão e petróleo. O país é o segundo maior emissor de gases-estufa no mundo, atrás apenas da China.
Reino Unido terá 1º comercial de clínicas de aborto na TV; veja vídeo
Folha Online
Uma organização que reúne clínicas onde são feitos abortos e que dá aconselhamento sobre o tema vai veicular um comercial nesta segunda-feira pela primeira vez na televisão britânica.
Assista ao vídeo da BBC
A campanha da Mary Stopes International, que lida com gestações indesejadas e abortos, tem o objetivo de aumentar a conscientização sobre a saúde sexual, segundo a organização.
O comercial de 30 segundos será mostrado na emissora Channel 4 às 22h10 do horário local (18h10 na hora de Brasília) e será repetido na programação até o fim de junho.
Ativistas antiaborto dizem que o comercial representa uma banalização da vida humana e que podem entrar na justiça contra sua transmissão.
"Apoio e conselhos"
No seu website britânico, a Marie Stopes diz ter nove clínicas de aborto em toda o Reino Unido.
O comercial não menciona a palavra aborto, mas pergunta "você está atrasada? (no seu ciclo menstrual)" e aconselha quem está enfrentando uma gravidez indesejada a procurar a linha de atendimento 24 horas da organização.
A Marie Stopes, que não tem fins lucrativos, diz que quem telefonar receberá "apoio, conselhos e serviços sem julgamento".
Em um comunicado, a organização diz que "no passado não estava claro se serviços de aconselhamento para gestações não planejadas podiam colocar anúncios na TV (...) Após uma consulta, nós descobrimos que é permitido sob a atual orientação porque nós somos uma organização beneficente e não comercial".
O órgão que controla a publicidade no Reino Unido, a Advertising Standards Agency (ASA), disse que faz muito tempo que organizações não-comerciais que fornecem serviços pós-concepção vêm sendo autorizadas a fazer comerciais.
Um porta-voz do órgão disse que "qualquer comercial que é veiculado precisa obedecer todas as regras relevantes do Código de Publicidade, que tem o objetivo de garantir que os anúncios não são enganosos e são socialmente responsáveis".
"Se os telespectadores tiverem preocupações sobre o conteúdo ou o horário de transmissão do anúncio, a ASA poderá considerar reclamações depois que o comercial for ao ar."
Números
Os últimos dados oficiais, de 2008, dizem que houve 195.300 abortos na Inglaterra e no País de Gales e 13.817 na Escócia.
A Marie Stopes diz que cerca de 80% dos abortos que fez em 2009 foram realizados graças ao sistema público de saúde, que pagou pelos procedimentos.
"Apenas no ano passado nós recebemos 350 mil ligações para nossa linha 24 horas. Claramente há centenas de milhares de mulheres que querem e precisam de informação e conselhos sobre saúde sexual e acesso a serviços", disse a presidente da organização, Dana Hovig.
"Nós esperamos que a nova campanha 'Você está atrasada?' incentive as pessoas a falarem sobre suas escolhas, incluindo o aborto, de forma mais aberta e honesta, e que dê poder para que as mulheres tomem decisões confiantes e informadas sobre sua saúde sexual", disse.
Legalidade
A porta-voz da organização antiaborto Life, Michaela Aston, disse que "permitir que provedores de aborto anunciem na TV, como se não fossem diferentes de fábricas de carro ou detergente, é grotesco".
"Sugerir que o aborto é mais uma decisão de consumo banaliza a vida humana e completamente fere o espírito da Lei do Aborto, de 1967, que deveria permitir um número pequeno de abortos legais em um número limitado de casos sérios, mas que vem sendo distorcida para permitir abortos em massa."
A Sociedade de Proteção de Crianças Não-Nascidas disse que está buscando aconselhamento sobre a legalidade do comercial.
O porta-voz da organização Anthony Ozimic disse que a "o enorme lucro multinacional da Marie Stopes significa que pode pagar para anunciar na TV, o que é muito caro".
"Isso cria um campo injusto, já que grupos pró-vida simplesmente não podem pagar por tais comerciais."
"Anúncios de aborto irão banalizar o aborto. É um insulto às centenas de mulheres feridas pelo aborto todos os dias. Esses anúncios são ofensivos e irão iludir os telespectadores sobre a realidade do aborto", disse Ozimic.
Uma organização que reúne clínicas onde são feitos abortos e que dá aconselhamento sobre o tema vai veicular um comercial nesta segunda-feira pela primeira vez na televisão britânica.
Assista ao vídeo da BBC
A campanha da Mary Stopes International, que lida com gestações indesejadas e abortos, tem o objetivo de aumentar a conscientização sobre a saúde sexual, segundo a organização.
O comercial de 30 segundos será mostrado na emissora Channel 4 às 22h10 do horário local (18h10 na hora de Brasília) e será repetido na programação até o fim de junho.
Ativistas antiaborto dizem que o comercial representa uma banalização da vida humana e que podem entrar na justiça contra sua transmissão.
"Apoio e conselhos"
No seu website britânico, a Marie Stopes diz ter nove clínicas de aborto em toda o Reino Unido.
O comercial não menciona a palavra aborto, mas pergunta "você está atrasada? (no seu ciclo menstrual)" e aconselha quem está enfrentando uma gravidez indesejada a procurar a linha de atendimento 24 horas da organização.
A Marie Stopes, que não tem fins lucrativos, diz que quem telefonar receberá "apoio, conselhos e serviços sem julgamento".
Em um comunicado, a organização diz que "no passado não estava claro se serviços de aconselhamento para gestações não planejadas podiam colocar anúncios na TV (...) Após uma consulta, nós descobrimos que é permitido sob a atual orientação porque nós somos uma organização beneficente e não comercial".
O órgão que controla a publicidade no Reino Unido, a Advertising Standards Agency (ASA), disse que faz muito tempo que organizações não-comerciais que fornecem serviços pós-concepção vêm sendo autorizadas a fazer comerciais.
Um porta-voz do órgão disse que "qualquer comercial que é veiculado precisa obedecer todas as regras relevantes do Código de Publicidade, que tem o objetivo de garantir que os anúncios não são enganosos e são socialmente responsáveis".
"Se os telespectadores tiverem preocupações sobre o conteúdo ou o horário de transmissão do anúncio, a ASA poderá considerar reclamações depois que o comercial for ao ar."
Números
Os últimos dados oficiais, de 2008, dizem que houve 195.300 abortos na Inglaterra e no País de Gales e 13.817 na Escócia.
A Marie Stopes diz que cerca de 80% dos abortos que fez em 2009 foram realizados graças ao sistema público de saúde, que pagou pelos procedimentos.
"Apenas no ano passado nós recebemos 350 mil ligações para nossa linha 24 horas. Claramente há centenas de milhares de mulheres que querem e precisam de informação e conselhos sobre saúde sexual e acesso a serviços", disse a presidente da organização, Dana Hovig.
"Nós esperamos que a nova campanha 'Você está atrasada?' incentive as pessoas a falarem sobre suas escolhas, incluindo o aborto, de forma mais aberta e honesta, e que dê poder para que as mulheres tomem decisões confiantes e informadas sobre sua saúde sexual", disse.
Legalidade
A porta-voz da organização antiaborto Life, Michaela Aston, disse que "permitir que provedores de aborto anunciem na TV, como se não fossem diferentes de fábricas de carro ou detergente, é grotesco".
"Sugerir que o aborto é mais uma decisão de consumo banaliza a vida humana e completamente fere o espírito da Lei do Aborto, de 1967, que deveria permitir um número pequeno de abortos legais em um número limitado de casos sérios, mas que vem sendo distorcida para permitir abortos em massa."
A Sociedade de Proteção de Crianças Não-Nascidas disse que está buscando aconselhamento sobre a legalidade do comercial.
O porta-voz da organização Anthony Ozimic disse que a "o enorme lucro multinacional da Marie Stopes significa que pode pagar para anunciar na TV, o que é muito caro".
"Isso cria um campo injusto, já que grupos pró-vida simplesmente não podem pagar por tais comerciais."
"Anúncios de aborto irão banalizar o aborto. É um insulto às centenas de mulheres feridas pelo aborto todos os dias. Esses anúncios são ofensivos e irão iludir os telespectadores sobre a realidade do aborto", disse Ozimic.
Economia em crise foi responsável por 44% de queda brusca no desmate
Folha Online
Punição a desmatadores ou desaquecimento da economia? Um estudo publicado hoje conclui que metade do mérito pela queda do desmatamento na Amazônia em meados desta década não é do aumento da fiscalização, mas sim da baixa no mercado de commodities.
Com uma série de comparações estatísticas, cientistas do Brasil e dos EUA calcularam que 44% da redução do desmate observada de 2004 a 2006 foi reflexo da economia fraca. O resto seria mérito de políticas governamentais.A criação de novas áreas protegidas fez 37% do serviço, e os 18% finais foram atingidos por meio de fiscalização e policiamento para coibir desmatamento ilegal _as chamadas políticas de "comando e controle".
Nesse período, o desmate anual caiu de 27 mil km² para 14 mil km². Embora a crise tenha sido o principal fator individual por trás da queda, a nova pesquisa comprova que o governo pode ter papel bem importante.
O novo estudo, liderado por Britaldo Soares-Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais, traz outra boa notícia: os produtores que deixaram de desmatar em uma determinada área não migraram até outras regiões para cortar mais árvores.
VAZAMENTO TAPADO
Esse fenômeno, conhecido por economistas como "vazamento", comprometeria uma série de esforços para ajudar a combater a emissão de gases do efeito estufa. Mas não é o que está acontecendo, segundo o estudo de Soares-Filho e colegas, a ser publicado pela revista "PNAS", da Academia Nacional de Ciências dos EUA.
Muitos ambientalistas esperam que negociações internacionais aprovem a adoção de sistemas de negociação do tipo Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal). Esse mecanismo prevê que países em desenvolvimento recebam compensação financeira por evitar o desmate, mas para isso é preciso "tapar o vazamento".
Segundo Soares-Filho, seu trabalho mostra que o objetivo foi cumprido. "A queda [do desmate] fora das áreas protegidas, foi proporcionalmente até maior do que a redução dentro dessas áreas", disse à Folha. "Isso implica que não houve vazamento."
Segundo o ecólogo Paulo Moutinho, coautor do trabalho, parte do segredo desse sucesso foi a criação de unidades de conservação próximas ao chamado arco do desmatamento _região no sul de Mato Grosso e oeste do Pará que marca a fronteira entre a floresta e as fazendas que avançam sobre ela.
"Não dá para o produtor rural deslocar o desmatamento de uma área de fronteira para uma área remota", diz. "O custo cresce muito."
LUCRO À FRENTE
Paulo Artaxo, físico atmosférico da USP que não participou do trabalho, diz ter ficado surpreso com o impacto das áreas protegidas. "Elas teriam o potencial de reduzir cerca de 8 bilhões de toneladas de carbono até 2050", diz. Seria equivalente aos EUA ficarem um ano inteiro sem queimar nem uma gota de combustível sequer.
Para Soares-Filho, a própria perspectiva do Redd já ajudou a controlar o desmate nos últimos anos: "Muitos fazendeiros têm expectativa de poder ter alguma remuneração pela conservação de suas florestas, e isso fez com que eles pensassem duas vezes antes de desmatar".
Segundo Moutinho, se o custo de implementação de todas as unidades de conservação for igual ao lucro ao qual a agropecuária renuncia por deixar de desmatar nelas, seu valor seria de US$ 147 bilhões. Não é muito, se dividirmos o valor entre os mais de 5 milhões de km² da Amazônia Legal. "Poderíamos vender isso no mercado em créditos [de carbono] por um valor muito maior", diz.
Do Blog: um ótimo exemplo para se ter a noção de como devemos ler vários veículos de informação. Se víssemos a informação da queda do desmatamento em um único jornal, pensaríamos que o governo está fazendo a sua parte, quando a verdade é outra.
Punição a desmatadores ou desaquecimento da economia? Um estudo publicado hoje conclui que metade do mérito pela queda do desmatamento na Amazônia em meados desta década não é do aumento da fiscalização, mas sim da baixa no mercado de commodities.
Com uma série de comparações estatísticas, cientistas do Brasil e dos EUA calcularam que 44% da redução do desmate observada de 2004 a 2006 foi reflexo da economia fraca. O resto seria mérito de políticas governamentais.A criação de novas áreas protegidas fez 37% do serviço, e os 18% finais foram atingidos por meio de fiscalização e policiamento para coibir desmatamento ilegal _as chamadas políticas de "comando e controle".
Nesse período, o desmate anual caiu de 27 mil km² para 14 mil km². Embora a crise tenha sido o principal fator individual por trás da queda, a nova pesquisa comprova que o governo pode ter papel bem importante.
O novo estudo, liderado por Britaldo Soares-Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais, traz outra boa notícia: os produtores que deixaram de desmatar em uma determinada área não migraram até outras regiões para cortar mais árvores.
VAZAMENTO TAPADO
Esse fenômeno, conhecido por economistas como "vazamento", comprometeria uma série de esforços para ajudar a combater a emissão de gases do efeito estufa. Mas não é o que está acontecendo, segundo o estudo de Soares-Filho e colegas, a ser publicado pela revista "PNAS", da Academia Nacional de Ciências dos EUA.
Muitos ambientalistas esperam que negociações internacionais aprovem a adoção de sistemas de negociação do tipo Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal). Esse mecanismo prevê que países em desenvolvimento recebam compensação financeira por evitar o desmate, mas para isso é preciso "tapar o vazamento".
Segundo Soares-Filho, seu trabalho mostra que o objetivo foi cumprido. "A queda [do desmate] fora das áreas protegidas, foi proporcionalmente até maior do que a redução dentro dessas áreas", disse à Folha. "Isso implica que não houve vazamento."
Segundo o ecólogo Paulo Moutinho, coautor do trabalho, parte do segredo desse sucesso foi a criação de unidades de conservação próximas ao chamado arco do desmatamento _região no sul de Mato Grosso e oeste do Pará que marca a fronteira entre a floresta e as fazendas que avançam sobre ela.
"Não dá para o produtor rural deslocar o desmatamento de uma área de fronteira para uma área remota", diz. "O custo cresce muito."
LUCRO À FRENTE
Paulo Artaxo, físico atmosférico da USP que não participou do trabalho, diz ter ficado surpreso com o impacto das áreas protegidas. "Elas teriam o potencial de reduzir cerca de 8 bilhões de toneladas de carbono até 2050", diz. Seria equivalente aos EUA ficarem um ano inteiro sem queimar nem uma gota de combustível sequer.
Para Soares-Filho, a própria perspectiva do Redd já ajudou a controlar o desmate nos últimos anos: "Muitos fazendeiros têm expectativa de poder ter alguma remuneração pela conservação de suas florestas, e isso fez com que eles pensassem duas vezes antes de desmatar".
Segundo Moutinho, se o custo de implementação de todas as unidades de conservação for igual ao lucro ao qual a agropecuária renuncia por deixar de desmatar nelas, seu valor seria de US$ 147 bilhões. Não é muito, se dividirmos o valor entre os mais de 5 milhões de km² da Amazônia Legal. "Poderíamos vender isso no mercado em créditos [de carbono] por um valor muito maior", diz.
Do Blog: um ótimo exemplo para se ter a noção de como devemos ler vários veículos de informação. Se víssemos a informação da queda do desmatamento em um único jornal, pensaríamos que o governo está fazendo a sua parte, quando a verdade é outra.
Nível do mar na costa brasileira sobe 4 milímetros por ano
Revista GEO - Agência USP
Medições ao longo da costa brasileira indicam elevação do nível do mar que se acentua desde a década de 1960
Segundo dados coletados em portos ao longo da costa brasileira, o nível do mar está aumentando no Brasil cerca de 40 centímetros (cm) por século, ou 4 milímetros (mm) por ano (mm/ano). A constatação é do Laboratório de Marés e Processos Temporais Oceânicos (Maptolab) do Instituto Oceanográfico (IO) da USP que investiga as variações no nível do mar no litoral brasileiro, a partir de séries de medições que começaram em 1980. As análises dos dados são feitas por médias de variações diárias, médias sazonais e médias anuais do nível do mar, que permitem estimar a variação local de longo prazo.
O professor Afranio Rubens de Mesquita, pesquisador do Maptolab, explica que as medições de nível do mar dependem de um conjunto de variáveis tais como: a variação do volume de água doce presente no mar decorrente do degelo; a variação da salinidade da água; a variação de temperatura decorrente do aquecimento global; a variação vertical da crosta em relação ao centro da Terra; a variação devido aos ventos e outros fenômenos atmosféricos; a variação oceanográfica decorrente das ondas e correntes oceânicas; a variação astronômica, devido ao Sol e a Lua (marés) e o posicionamento das órbitas dos planetas (causador das Glaciações) em relação à Terra, entre outras variáveis.
As medições do nível do mar da Costa Brasileira são feitas em estações permanentes distribuídas ao longo da costa por diferentes instituições: Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), Diretoria e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil, Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o IO, que realiza, além das medições permanentes nas estações de Cananéia e de Ubatuba, no litoral Sul do Estado de São Paulo, medições de caráter não permanente em oceano profundo, ao longo da plataforma continental.
As medições feitas pela equipe do professor Mesquita na região de Cananéia, e publicadas em 2009, mostram um movimento de afundamento vertical da crosta na ordem de 0,11 cm por ano. Isso faz com que o nível do mar suba em relação à crosta a 0,38 cm por ano. "A variação de 0,38 cm por ano é preocupante e ameaça as praias, talvez, de toda a costa brasileira", explica o pesquisador.
Outras séries de medições de nível do mar ao longo do litoral brasileiro indicam a mesma tendência de elevação de uma média de 40 cm por século, ou 4 mm por ano, que é mais evidente a partir dos anos 1960
Medições ao longo da costa brasileira indicam elevação do nível do mar que se acentua desde a década de 1960
Segundo dados coletados em portos ao longo da costa brasileira, o nível do mar está aumentando no Brasil cerca de 40 centímetros (cm) por século, ou 4 milímetros (mm) por ano (mm/ano). A constatação é do Laboratório de Marés e Processos Temporais Oceânicos (Maptolab) do Instituto Oceanográfico (IO) da USP que investiga as variações no nível do mar no litoral brasileiro, a partir de séries de medições que começaram em 1980. As análises dos dados são feitas por médias de variações diárias, médias sazonais e médias anuais do nível do mar, que permitem estimar a variação local de longo prazo.
O professor Afranio Rubens de Mesquita, pesquisador do Maptolab, explica que as medições de nível do mar dependem de um conjunto de variáveis tais como: a variação do volume de água doce presente no mar decorrente do degelo; a variação da salinidade da água; a variação de temperatura decorrente do aquecimento global; a variação vertical da crosta em relação ao centro da Terra; a variação devido aos ventos e outros fenômenos atmosféricos; a variação oceanográfica decorrente das ondas e correntes oceânicas; a variação astronômica, devido ao Sol e a Lua (marés) e o posicionamento das órbitas dos planetas (causador das Glaciações) em relação à Terra, entre outras variáveis.
As medições do nível do mar da Costa Brasileira são feitas em estações permanentes distribuídas ao longo da costa por diferentes instituições: Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), Diretoria e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil, Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o IO, que realiza, além das medições permanentes nas estações de Cananéia e de Ubatuba, no litoral Sul do Estado de São Paulo, medições de caráter não permanente em oceano profundo, ao longo da plataforma continental.
As medições feitas pela equipe do professor Mesquita na região de Cananéia, e publicadas em 2009, mostram um movimento de afundamento vertical da crosta na ordem de 0,11 cm por ano. Isso faz com que o nível do mar suba em relação à crosta a 0,38 cm por ano. "A variação de 0,38 cm por ano é preocupante e ameaça as praias, talvez, de toda a costa brasileira", explica o pesquisador.
Outras séries de medições de nível do mar ao longo do litoral brasileiro indicam a mesma tendência de elevação de uma média de 40 cm por século, ou 4 mm por ano, que é mais evidente a partir dos anos 1960
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Pobreza deixa marcas biológicas permanentes nas crianças, dizem cientistas
Folha Online
A pobreza pode deixar profundos e permanentes efeitos biológicos em crianças pequenas que, quando adultas, correm mais riscos de sofrer problemas de saúde e ter renda mais baixa, revelou uma pesquisa apresentada no último fim de semana em San Diego, Califórnia.
Cientistas americanos definiram "uma biologia da pobreza" entre adultos que passaram a infância em um ambiente de pobreza, principalmente entre aqueles que viveram na miséria antes dos cinco anos de idade, segundo o estudo publicado no domingo, na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).
"A pobreza tem o potencial de modificar profundamente a neurobiologia da criança pequena em desenvolvimento", e pode afetar diretamente toda a sua vida, afirma Greg Duncan, da Universidade da Califórnia.
A primeira infância é um "momento crucial para estabelecer a arquitetura do cérebro que dá forma ao futuro cognitivo, social e de bem-estar emocional da criança", explica o estudo.
"As crianças que crescem em um ambiente desfavorável mostram níveis desproporcionais de reação ao estresse, e isso é notado a nível de exames hormonais, neurológicos e de perfis epigenéticos", diz Thomas Boyce, da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá.
Para medir os efeitos socioeconômicos destes marcadores neurobiológicos da pobreza, os pesquisadores analisaram dados demográficos de 1.589 adultos nascidos entre 1968 e 1975, incluindo o nível de renda de suas famílias e os anos de educação alcançados, além de dados sobre sua saúde e antecedentes penais.
"Diferenças notáveis" foram percebidas entre as vidas adultas daquelas crianças, de acordo com o nível socioeconômico antes dos seis anos.
"Em comparação com crianças cujas famílias registravam renda pelo menos duas vezes mais alta que a linha de pobreza durante sua primeira infância, as crianças pobres tiveram dois anos a menos de escolaridade em média, trabalham 451 horas a menos por ano e ganham menos da metade", indica o estudo.
Estas crianças também receberam de adultos mais de US$ 800 a mais por ano em cupons de alimentos, e foram duas vezes mais propensas a ter uma saúde em geral deficiente ou altos níveis de estresse psicológico.
As crianças pobres também acabaram mais gordas que as ricas, assim como mais propensas a apresentar sobrepeso na vida adulta.
Além disso, homens pobres desde a infância têm o dobro de chances de serem presos, e as mulheres, seis vezes mais chances de se tornarem mães solteiras.
A pesquisa, a primeira com estas características realizada nos Estados Unidos, também demonstrou que se uma família pobre recebe US$ 3.000 por ano a mais por meio da assistência social do governo por ter um filho de menos de cinco anos, quando adulto esta criança ganhará 17% a mais e trabalhará 135 horas a mais por ano.
"Este estudo prova que as políticas de bem-estar social dirigidas a famílias americanas pobres com crianças pequenas produzem resultados palpáveis."
Segundo os autores do estudo, quatro milhões de crianças nos Estados Unidos viviam na pobreza em 2007.
Para Jack Shonkoff, da Universidade de Harvard, a pesquisa oferece "uma oportunidade magnífica para aprender mais sobre a biologia da pobreza, que pode ajudar a desenvolver novas ideias e mitigar o impacto da precariedade no emprego e proteger melhor as crianças pequenas".
A pobreza pode deixar profundos e permanentes efeitos biológicos em crianças pequenas que, quando adultas, correm mais riscos de sofrer problemas de saúde e ter renda mais baixa, revelou uma pesquisa apresentada no último fim de semana em San Diego, Califórnia.
Cientistas americanos definiram "uma biologia da pobreza" entre adultos que passaram a infância em um ambiente de pobreza, principalmente entre aqueles que viveram na miséria antes dos cinco anos de idade, segundo o estudo publicado no domingo, na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).
"A pobreza tem o potencial de modificar profundamente a neurobiologia da criança pequena em desenvolvimento", e pode afetar diretamente toda a sua vida, afirma Greg Duncan, da Universidade da Califórnia.
A primeira infância é um "momento crucial para estabelecer a arquitetura do cérebro que dá forma ao futuro cognitivo, social e de bem-estar emocional da criança", explica o estudo.
"As crianças que crescem em um ambiente desfavorável mostram níveis desproporcionais de reação ao estresse, e isso é notado a nível de exames hormonais, neurológicos e de perfis epigenéticos", diz Thomas Boyce, da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá.
Para medir os efeitos socioeconômicos destes marcadores neurobiológicos da pobreza, os pesquisadores analisaram dados demográficos de 1.589 adultos nascidos entre 1968 e 1975, incluindo o nível de renda de suas famílias e os anos de educação alcançados, além de dados sobre sua saúde e antecedentes penais.
"Diferenças notáveis" foram percebidas entre as vidas adultas daquelas crianças, de acordo com o nível socioeconômico antes dos seis anos.
"Em comparação com crianças cujas famílias registravam renda pelo menos duas vezes mais alta que a linha de pobreza durante sua primeira infância, as crianças pobres tiveram dois anos a menos de escolaridade em média, trabalham 451 horas a menos por ano e ganham menos da metade", indica o estudo.
Estas crianças também receberam de adultos mais de US$ 800 a mais por ano em cupons de alimentos, e foram duas vezes mais propensas a ter uma saúde em geral deficiente ou altos níveis de estresse psicológico.
As crianças pobres também acabaram mais gordas que as ricas, assim como mais propensas a apresentar sobrepeso na vida adulta.
Além disso, homens pobres desde a infância têm o dobro de chances de serem presos, e as mulheres, seis vezes mais chances de se tornarem mães solteiras.
A pesquisa, a primeira com estas características realizada nos Estados Unidos, também demonstrou que se uma família pobre recebe US$ 3.000 por ano a mais por meio da assistência social do governo por ter um filho de menos de cinco anos, quando adulto esta criança ganhará 17% a mais e trabalhará 135 horas a mais por ano.
"Este estudo prova que as políticas de bem-estar social dirigidas a famílias americanas pobres com crianças pequenas produzem resultados palpáveis."
Segundo os autores do estudo, quatro milhões de crianças nos Estados Unidos viviam na pobreza em 2007.
Para Jack Shonkoff, da Universidade de Harvard, a pesquisa oferece "uma oportunidade magnífica para aprender mais sobre a biologia da pobreza, que pode ajudar a desenvolver novas ideias e mitigar o impacto da precariedade no emprego e proteger melhor as crianças pequenas".
Brasil se torna o segundo maior produtor de transgênicos do mundo
Folha Online
O Brasil se tornou, pela primeira vez, o segundo maior produtor de transgênicos no planeta, com 21,4 milhões de hectares plantados, segundo dados fornecidos pelo Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa, na sigla em inglês) nesta terça-feira (23).
Com isso, o Brasil plantou 16% dos 134 milhões de hectares de transgênicos cultivados em 2009 no mundo.
No ranking, feito com dados relativos ao ano de 2009, o país ultrapassou a Argentina --cujo plantio chegou a 21,3 milhões de hectares-- e fica atrás dos Estados Unidos (com 64 milhões).
O crescimento brasileiro foi 35,4% maior em relação a 2008 (quando o país registrou 5,6 milhões de hectares).
"Trata-se do maior índice de crescimento entre os 25 países produtores de transgênicos, especialmente em razão da rápida adoção do milho transgênico", afirma a Isaaa, em comunicado.
A base de produtos geneticamente modificados plantados no Brasil reside na soja (71%), no milho (31%) e no algodão (16%), segundo a entidade.
Os principais Estados produtores que adotaram tecnologia transgênica são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins.
"Em 2009, 14 milhões de agricultores plantaram 134 milhões de hectares de lavouras transgênicas em 25 países, bem acima dos 13,3 milhões de agricultores e 125 milhões de hectares (7%) em 2008. Notadamente, em 2009, treze dos quatorze milhões de agricultores, ou 90%, foram pequenos agricultores com recursos escassos em países em desenvolvimento", afirma o relatório da Isaaa.
O Brasil se tornou, pela primeira vez, o segundo maior produtor de transgênicos no planeta, com 21,4 milhões de hectares plantados, segundo dados fornecidos pelo Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa, na sigla em inglês) nesta terça-feira (23).
Com isso, o Brasil plantou 16% dos 134 milhões de hectares de transgênicos cultivados em 2009 no mundo.
No ranking, feito com dados relativos ao ano de 2009, o país ultrapassou a Argentina --cujo plantio chegou a 21,3 milhões de hectares-- e fica atrás dos Estados Unidos (com 64 milhões).
O crescimento brasileiro foi 35,4% maior em relação a 2008 (quando o país registrou 5,6 milhões de hectares).
"Trata-se do maior índice de crescimento entre os 25 países produtores de transgênicos, especialmente em razão da rápida adoção do milho transgênico", afirma a Isaaa, em comunicado.
A base de produtos geneticamente modificados plantados no Brasil reside na soja (71%), no milho (31%) e no algodão (16%), segundo a entidade.
Os principais Estados produtores que adotaram tecnologia transgênica são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins.
"Em 2009, 14 milhões de agricultores plantaram 134 milhões de hectares de lavouras transgênicas em 25 países, bem acima dos 13,3 milhões de agricultores e 125 milhões de hectares (7%) em 2008. Notadamente, em 2009, treze dos quatorze milhões de agricultores, ou 90%, foram pequenos agricultores com recursos escassos em países em desenvolvimento", afirma o relatório da Isaaa.
Transgênico mata uma praga e traz outra
Folha Online A adoção de uma variedade de algodão transgênico por fazendeiros chineses permitiu controlar as lagartas que são a principal ameaça a essa cultura, mas foi vítima de uma reviravolta ecológica: um percevejo outrora inofensivo virou praga.
Presente na China há mais de uma década e aprovado para uso no Brasil só em 2009, o algodão transgênico Bt desfrutou de algumas boas safras.
Agora, porém, a praga emergente afeta a produtividade do vegetal e se espalha também para o cultivo de frutas, afirma um estudo de cientistas da Academia Chinesa de Agronomia.Presente na China há mais de uma década e aprovado para uso no Brasil só em 2009, o algodão transgênico Bt desfrutou de algumas boas safras.
Em artigo na revista "Science", o grupo mostra que os algodoeiros Bt estão enfrentando problemas pelo motivo inverso ao qual vinham sendo criticados por ambientalistas.
Por muito tempo, transgênicos dessa variedade foram acusados de prejudicar insetos carismáticos, como a borboleta-monarca. Os percevejos mirídeos que viraram praga na China, porém, bem poderiam ter entrado nessa categoria antes.
As plantas Bt são resistentes a algumas pragas porque têm incorporado em seu DNA um gene da bactéria Bacillus thuringiensis, produtora de toxina letal para certos insetos. Percevejos mirídeos, porém, não são afetados pelos transgênicos.
"Antes da adoção do algodão Bt, um inseticida de amplo espectro contra [a lagarta] Helicoverpa armigera reduzia as populações de mirídeos; plantações de algodão atuavam como armadilhas sem saída", escrevem o cientista Yuyuan Go e seus colegas na "Science".
O grupo, porém, não defende que a solução para o problema seja uma volta ao uso de agrotóxicos químicos do tipo mata-tudo, que costumam gerar danos ambientais mais graves. A solução, dizem, é investir no "manejo integrado de pragas" para não ter de abrir mão dos benefícios que o Bt trouxe, como evitar pragas resistentes.
"No tratamento com inseticidas, às vezes é preciso usar três ou quatro tipos diferentes", afirma Olívia Arantes, geneticista da Embrapa Meio Ambiente especialista em Bt. Segundo ela, é improvável que o Bt também fosse se revelar uma solução para uso solitário.
Antes de ser incorporada aos transgênicos, a toxina da bactéria era borrifada diretamente nas plantas. O receio de as pragas evoluírem criando resistência ao Bt, segundo ela, é pequeno, pois existem muitas variedades da proteína que constitui a toxina, permitindo que os produtores se adaptem.
Na China, o algodão Bt teve tanto sucesso no fim da década de 1990 que se disseminou até conquistar 95% das fazendas dessa cultura. No Brasil, as estatísticas são incertas, porque esse transgênico começou a ser plantado de forma "pirata" antes da aprovação. Agora, as empresas Monsanto e Dow já podem comercializar a planta Bt. A Embrapa desenvolve novas variedades, ainda em teste.
Segundo Arantes, para o país se beneficiar dessa tecnologia, é preciso dar atenção ao estudo de interações ecológicas entre pragas, disciplina que lida justamente com efeitos como o ocorrido na China. "Essa é uma área de pesquisa que já está bastante ampla", afirma.
Nicolau Copérnico é enterrado de novo na Polônia, 467 anos depois
Folha Online - da France PressO autor da teoria heliocêntrica Nicolau Copérnico, que teve os restos identificados recentemente, foi enterrado novamente neste sábado (22) na catedral de Frombork (norte da Polônia), 467 anos após sua morte.
Modesto em vida e morto antes de sua teoria ter sido publicada e reconhecida, o astrônomo, matemático, economista e médico foi também cônego em Frombork.
Ele havia sido sepultado na catedral em 1543 sem nenhuma indicação do local exato, como centenas de outros padres e leigos.
Há dois séculos cientistas poloneses, franceses e alemães tentam identificar seu túmulo.
"A história da descoberta é um verdadeiro romance policial", declarou à France Press o arqueólogo Jerzy Gassowski, professor octogenário do Instituto de Antropologia e Arqueologia de Pultusk (centro da Polônia), autor da descoberta, em 2005.
"Foi aqui que o encontrei", disse, apontando para uma placa de mármore nos pés do altar de Santa Cruz, um dos 16 altares levantados entre as colunas imponentes da catedral.
Uma hipótese sobre o local do altar do qual o cônego Copérnico possuía a guarda permitiu delimitar o campo das escavações.
No local, foram encontrados o crânio e os ossos de um homem setuagenário, confiados em seguida ao laboratório de polícia de Varsóvia (capital da Polônia). A idade estimada conferia com a de Copérnico, que morreu aos 70 anos.
As reconstruções virtuais do rosto mostraram também semelhanças impressionantes com os retratos existentes de Nicolau Copérnico.
Os testes de DNA dariam certeza. Mas os cientistas tiveram dificuldade de encontrar material genético de comparação.
Um livro descoberto na Suécia, porém, forneceu o último elemento necessário para a resolução do mistério. O livro, datado de 1518, é um manual que Copérnico usou durante a vida e que foi levado pelos suecos durante as guerras sueco-polonesas do século 18.
No livro havia alguns fios de cabelo. Análises feitas em laboratórios especializados da Suécia e da Polônia confirmaram o sucesso: dois fios entre os demais encontrados tinham as mesmas sequências do genoma do crânio de Frombork.
Os restos de Copérnico foram levados a cidades e aldeias polonesas antes de serem novamente enterrados na catedral de Frombork durante cerimônia.
Teoria heliocêntrica
Copérnico havia rejeitado a teoria geocêntrica de Ptolomeu, elaborando a sua própria, a heliocêntrica, relacionada ao duplo movimento dos planetas sobre si mesmos e em torno do Sol.
Sua obra mais célebre, que esteve na origem de uma revolução científica do século 18, "De revolutionibus orbium caelestium" (Da revolução das órbitas celestes), foi publicada após sua morte. Foi condenada pelo Papa Paulo 5º em 1616 como contrária à Bíblia.
Japão diz que não abrirá mão de caça científica de baleia
Folha Online
O governo japonês afirmou que não pretende encerrar seu programa de caça científica de baleias, mesmo que um acordo internacional para regulamentar a captura desses animais seja fechado no mês que vem.
A declaração foi dada pela embaixada japonesa, em resposta a perguntas da Folha.
O país que mais caça baleias no mundo afirmou, no entanto, que está considerando uma proposta para incluir observadores a bordo de sua frota baleeira e realizar exames de DNA nos animais capturados.
O objetivo das medidas é garantir que não haja caça além da quota e que não sejam capturadas espécies ameaçadas, como a baleia-azul (o maior animal que já habitou a Terra), ou cujos estoques não sejam conhecidos em alguns lugares, como a jubarte (espécie que dá "braçadas" no ar quando salta).
A adoção do esquema de vigilância é um dos grandes pontos de um acordo que está sendo negociado e que pode levar à liberação da caça, com limites.
A proposta é do chileno Cristián Maquieira, presidente da CIB (Comissão Internacional da Baleia). Será debatida no fim de junho, na reunião da CIB, em Marrocos, e é foco de negociações diplomáticas intensas.
Ela prevê que a captura de baleias seja liberada por dez anos e estabelece uma quota de captura global de algumas centenas de exemplares por ano.
Um ponto polêmico é dar ao Japão uma quota de 400 baleias minke ao ano na Antártida, que se reduziria a 200 após cinco anos. Hoje, o oceano Austral é oficialmente um santuário de baleias, mas o Japão se permite caçar 900 animais ao ano ali, sob a desculpa de "pesquisa científica" relatada à CIB.
Trata-se de uma forma que o país encontrou de driblar a moratória imposta pela CIB à caça comercial em 1986, denunciada ano após ano por vários países - o Brasil, inclusive - como caça comercial disfarçada. A carne de baleia do programa "científico" abastece restaurantes e mercados no país.
O acordo proposto por Manquieira prevê a eliminação, pelos seus dez anos de vigência, de "caça à baleia determinada unilateralmente sob permissão especial, objeções e reservas".
A formulação tem três endereços certos: "permissão especial" é o caso da caça japonesa; "objeções", da caça islandesa; e "reservas", da Noruega, segundo maior caçador _que mata metade do número de baleias que o Japão mata.
"O Japão não tem tal ideia", afirmou a embaixada, questionada sobre se o país consideraria pôr fim à pesquisa letal.
Segundo o governo japonês, a caça no oceano Austral e no Pacífico Norte acontece para "atender a objetivos científicos, como remover incertezas em torno dos dados científicos em relação aos recursos baleeiros, mas não para atender à demanda por carne".
Pressão total
Japão tem motivos para considerar a proposta de Maquieira: poucas vezes o país esteve sob pressão internacional tão forte para largar seu hábito de comer cetáceos.
A frota baleeira japonesa tem sido perseguida em águas antárticas pela ONG Sea Shepherd, que neste verão conseguiu impedir que ela cumprisse sua quota de captura. O embate levou à prisão de um ativista, que será julgado no Japão.
O governo da Austrália ameaçou neste ano adotar medidas legais contra o Japão caso o país não acabe com seu programa de caça científica.
Por fim, até Hollywood se engajou: neste ano, o Oscar de melhor documentário foi para o filme "A Enseada", de 2009, que denuncia o massacre de golfinhos no país. Para a embaixada, "o governo japonês não está em posição de dizer se ele teve ou não impacto negativo sobre a sociedade japonesa".
O governo japonês afirmou que não pretende encerrar seu programa de caça científica de baleias, mesmo que um acordo internacional para regulamentar a captura desses animais seja fechado no mês que vem.
A declaração foi dada pela embaixada japonesa, em resposta a perguntas da Folha.
O país que mais caça baleias no mundo afirmou, no entanto, que está considerando uma proposta para incluir observadores a bordo de sua frota baleeira e realizar exames de DNA nos animais capturados.
O objetivo das medidas é garantir que não haja caça além da quota e que não sejam capturadas espécies ameaçadas, como a baleia-azul (o maior animal que já habitou a Terra), ou cujos estoques não sejam conhecidos em alguns lugares, como a jubarte (espécie que dá "braçadas" no ar quando salta).
A adoção do esquema de vigilância é um dos grandes pontos de um acordo que está sendo negociado e que pode levar à liberação da caça, com limites.
A proposta é do chileno Cristián Maquieira, presidente da CIB (Comissão Internacional da Baleia). Será debatida no fim de junho, na reunião da CIB, em Marrocos, e é foco de negociações diplomáticas intensas.
Ela prevê que a captura de baleias seja liberada por dez anos e estabelece uma quota de captura global de algumas centenas de exemplares por ano.
Um ponto polêmico é dar ao Japão uma quota de 400 baleias minke ao ano na Antártida, que se reduziria a 200 após cinco anos. Hoje, o oceano Austral é oficialmente um santuário de baleias, mas o Japão se permite caçar 900 animais ao ano ali, sob a desculpa de "pesquisa científica" relatada à CIB.
Trata-se de uma forma que o país encontrou de driblar a moratória imposta pela CIB à caça comercial em 1986, denunciada ano após ano por vários países - o Brasil, inclusive - como caça comercial disfarçada. A carne de baleia do programa "científico" abastece restaurantes e mercados no país.
O acordo proposto por Manquieira prevê a eliminação, pelos seus dez anos de vigência, de "caça à baleia determinada unilateralmente sob permissão especial, objeções e reservas".
A formulação tem três endereços certos: "permissão especial" é o caso da caça japonesa; "objeções", da caça islandesa; e "reservas", da Noruega, segundo maior caçador _que mata metade do número de baleias que o Japão mata.
"O Japão não tem tal ideia", afirmou a embaixada, questionada sobre se o país consideraria pôr fim à pesquisa letal.
Segundo o governo japonês, a caça no oceano Austral e no Pacífico Norte acontece para "atender a objetivos científicos, como remover incertezas em torno dos dados científicos em relação aos recursos baleeiros, mas não para atender à demanda por carne".
Pressão total
Japão tem motivos para considerar a proposta de Maquieira: poucas vezes o país esteve sob pressão internacional tão forte para largar seu hábito de comer cetáceos.
A frota baleeira japonesa tem sido perseguida em águas antárticas pela ONG Sea Shepherd, que neste verão conseguiu impedir que ela cumprisse sua quota de captura. O embate levou à prisão de um ativista, que será julgado no Japão.
O governo da Austrália ameaçou neste ano adotar medidas legais contra o Japão caso o país não acabe com seu programa de caça científica.
Por fim, até Hollywood se engajou: neste ano, o Oscar de melhor documentário foi para o filme "A Enseada", de 2009, que denuncia o massacre de golfinhos no país. Para a embaixada, "o governo japonês não está em posição de dizer se ele teve ou não impacto negativo sobre a sociedade japonesa".
Físico pede 1 bilhão de euros para computador capaz de simular o planeta
Folha Online
Era outubro de 2008 e se prenunciava o cataclismo econômico global. Sentado em um fórum de ciência e política pública, o físico suíço Dirk Helbing teve uma epifania: por que não criar um supercomputador que, unindo áreas distintas do conhecimento, pudesse prever hecatombes desse tipo?
O marco zero da crise, a quebra do banco de investimento americano Lehman Brothers, acontecera um mês antes. "E era visível então que os economistas não sabiam o bastante a respeito e que sua abordagem não servia para detectar as interconexões no sistema", diz.
Para ele, um sujeito que foi da física à sociologia e usou ambos para desenhar sistemas de tráfego e detectar comportamentos de grupo, era óbvio que o que faltou em 2008 e outras tantas crises em outras áreas foi uma abordagem holística.
Helbing, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, visualizou então um sistema que usasse regras da física para lidar com interações entre pessoas, variáveis ambientais e aquilo que as "colisões" entre elas gerarem.
Para tirar a ideia do papel, quer 1 bilhão em financiamento da União Europeia (o LHC, o superacelerador de partículas, consumiu já 9,4 bilhões, lembra ele).
O dinheiro servirá para construir um supercomputador com capacidade de buscar dados em redes sociais, publicações, na academia e, assimilando bilhões de variáveis, produzir modelos em que interajam agentes distintos (economia, política, clima, transportes e outros).
Mas também bancará a formação de uma megaequipe que una de engenheiros a especialistas em psicologia para trabalhar na "compreensão, integração e administração de sistemas complexos", no dizer de seu recém-publicado artigo.
ACELERAÇÃO
Ou: Helbing acha que a complexidade do sistema econômico e social hoje é tamanha que não pode ser tratada isoladamente por cada área de especialidade. "Unir comunidades diferentes vai acelerar a produção de conhecimento", diz. "E os valores são baixos se comparados com o que é gasto em física elementar. Isso deveria ser gasto no mundo dos vivos."
Só a união em grande escala de físicos e engenheiros com economistas, diz, poderá criar instrumentos úteis à tomada de decisões por políticos, industriais, acadêmicos e pessoas do mercado. Isso fortaleceria o sistema social e tornaria possível antever crises como a de 2008.
A ideia é colocar o "superacelerador de conhecimento" em ação em 2013 -se o financiamento vier (o megainvestidor George Soros já chancelou o projeto).
Indagado sobre se o projeto não vai gerar um número sem-fim de modelos (e impedir os tomadores de decisão de discernir qual se aplica à situação corrente), Helbing cita a divisão entre economistas e físicos.
Os primeiros preferem usar o maior número de variáveis possível. Os segundos preferem menos variáveis.Prevaleceriam os físicos, cujos modelos não lineares são melhores para detectar fenômenos como a crise.
O que não foi decidido ainda é onde basear os cientistas. Mas isso terá de esperar: Helbing está gastando seu poder de análise para decifrar o "complexo e em múltiplas etapas" sistema de financiamento da UE.
Era outubro de 2008 e se prenunciava o cataclismo econômico global. Sentado em um fórum de ciência e política pública, o físico suíço Dirk Helbing teve uma epifania: por que não criar um supercomputador que, unindo áreas distintas do conhecimento, pudesse prever hecatombes desse tipo?
O marco zero da crise, a quebra do banco de investimento americano Lehman Brothers, acontecera um mês antes. "E era visível então que os economistas não sabiam o bastante a respeito e que sua abordagem não servia para detectar as interconexões no sistema", diz.
Para ele, um sujeito que foi da física à sociologia e usou ambos para desenhar sistemas de tráfego e detectar comportamentos de grupo, era óbvio que o que faltou em 2008 e outras tantas crises em outras áreas foi uma abordagem holística.
Helbing, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, visualizou então um sistema que usasse regras da física para lidar com interações entre pessoas, variáveis ambientais e aquilo que as "colisões" entre elas gerarem.
Para tirar a ideia do papel, quer 1 bilhão em financiamento da União Europeia (o LHC, o superacelerador de partículas, consumiu já 9,4 bilhões, lembra ele).
O dinheiro servirá para construir um supercomputador com capacidade de buscar dados em redes sociais, publicações, na academia e, assimilando bilhões de variáveis, produzir modelos em que interajam agentes distintos (economia, política, clima, transportes e outros).
Mas também bancará a formação de uma megaequipe que una de engenheiros a especialistas em psicologia para trabalhar na "compreensão, integração e administração de sistemas complexos", no dizer de seu recém-publicado artigo.
ACELERAÇÃO
Ou: Helbing acha que a complexidade do sistema econômico e social hoje é tamanha que não pode ser tratada isoladamente por cada área de especialidade. "Unir comunidades diferentes vai acelerar a produção de conhecimento", diz. "E os valores são baixos se comparados com o que é gasto em física elementar. Isso deveria ser gasto no mundo dos vivos."
Só a união em grande escala de físicos e engenheiros com economistas, diz, poderá criar instrumentos úteis à tomada de decisões por políticos, industriais, acadêmicos e pessoas do mercado. Isso fortaleceria o sistema social e tornaria possível antever crises como a de 2008.
A ideia é colocar o "superacelerador de conhecimento" em ação em 2013 -se o financiamento vier (o megainvestidor George Soros já chancelou o projeto).
Indagado sobre se o projeto não vai gerar um número sem-fim de modelos (e impedir os tomadores de decisão de discernir qual se aplica à situação corrente), Helbing cita a divisão entre economistas e físicos.
Os primeiros preferem usar o maior número de variáveis possível. Os segundos preferem menos variáveis.Prevaleceriam os físicos, cujos modelos não lineares são melhores para detectar fenômenos como a crise.
O que não foi decidido ainda é onde basear os cientistas. Mas isso terá de esperar: Helbing está gastando seu poder de análise para decifrar o "complexo e em múltiplas etapas" sistema de financiamento da UE.
PAC prevê apenas 13% dos investimentos necessários para rodovias, diz Ipea
Folha Online
O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) atende apenas 13% da necessidade de investimentos em rodovias no Brasil. De acordo com estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), são necessários R$ 183,5 bilhões para recuperar as estradas já existentes e construir novos trechos --o PAC prevê apenas R$ 23 bilhões.
Segundo o coordenador de Infraestrutura Econômica do Ipea, Carlos Campos, além de prever recursos insuficientes, o PAC apresenta problemas para execução, como a falta de projetos, dificuldade de licenciamento ambiental e paralisações do TCU (Tribunal de Contas da União).
"Dessa vez não é um problema de falta de recursos financeiros", afirmou.
De acordo com o estudo, desde 2009, a média anual de recursos públicos destinados ao setor rodoviário é de R$ 1,9 bilhão, contra R$ 9,2 bilhões da iniciativa privada.
Do Blog: Critiquem as privatizaçôes e deixem nas mãos dos lobos a administração do galinheiro.
O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) atende apenas 13% da necessidade de investimentos em rodovias no Brasil. De acordo com estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), são necessários R$ 183,5 bilhões para recuperar as estradas já existentes e construir novos trechos --o PAC prevê apenas R$ 23 bilhões.
Segundo o coordenador de Infraestrutura Econômica do Ipea, Carlos Campos, além de prever recursos insuficientes, o PAC apresenta problemas para execução, como a falta de projetos, dificuldade de licenciamento ambiental e paralisações do TCU (Tribunal de Contas da União).
"Dessa vez não é um problema de falta de recursos financeiros", afirmou.
De acordo com o estudo, desde 2009, a média anual de recursos públicos destinados ao setor rodoviário é de R$ 1,9 bilhão, contra R$ 9,2 bilhões da iniciativa privada.
Do Blog: Critiquem as privatizaçôes e deixem nas mãos dos lobos a administração do galinheiro.
Rolling Stones voltam ao topo da parada com álbum de 1972

Folha Online
Os Rolling Stones voltaram esta semana a ocupar o primeiro lugar da parada britânica pela primeira vez desde 1994. O grupo chegou ao topo neste domingo com o relançamento do disco clássico "Exile on Main St", de 1972.
O álbum, que já havia sido o mais vendido quando lançado pela primeira vez, voltou às lojas da Europa e dos Estados Unidos na última semana em versão especial comemorativa remasterizada.
Para o relançamento, o clássico foi ampliado com dez faixas bônus incluindo canções inéditas recuperadas das sessões de gravação no início da década de 70 e retrabalhadas pela banda em março deste ano.
Para o relançamento, o clássico foi ampliado com dez faixas bônus incluindo canções inéditas recuperadas das sessões de gravação no início da década de 70 e retrabalhadas pela banda em março deste ano.
Enquanto isso, os Stones voltaram a negar que o baterista Charlie Watts estaria deixando a banda. O boato foi criado por um site australiano, mas foi prontamente desmentido. "Ao contrário do que diz a notícia fabricada e mal informada publicada em um pequeno site de música da Austrália, gostaríamos de deixar claro que Charlie Watts não saiu dos Rolling Stones", informou um representante do grupo nesta segunda.
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