Revista Época
O cientista afirma que as pessoas de Q.I. mais alto tendem a questionar a existência de Deus
O pesquisador britânico Richard Lynn dedicou mais de meio século à análise da inteligência humana. Nesse tempo, publicou quatro best-sellers e se tornou um dos maiores especialistas no assunto. Nos últimos 20 anos, passou a investigar as relações entre raça, religião e inteligência. Ao publicar um trabalho na revista científica Nature, que sugeria que os homens são mais inteligentes, um grupo feminista o recepcionou em casa com o que ele chamou de salva de ovos. O mesmo aconteceu quando disse que os orientais são os mais inteligentes do planeta. “Faz parte do ofício de um cientista revelar o que as pessoas não estão prontas para receber”, diz. Ao analisar mais de 500 estudos, Lynn disse estar convencido da relação entre Q.I. alto e ateísmo. “Em cerca de 60% dos 137 países avaliados, os mais crentes são os de Q.I. menor”, disse. Seu trabalho será publicado em outubro na revista científica Intelligence.
QUEM É
Professor emérito e chefe do Departamento de Psicologia da Universidade do Ulster, na Irlanda do Norte
O QUE FAZ
Ph.D. pela Universidade de Cambridge, é um dos maiores especialistas em estudos de inteligência em raças e gêneros
O QUE PUBLICOU
Quatro livros sobre inteligência ligada à raça e ao sexo, entre eles Race Differences in Inteligence: an Evolutionary Analysis, e dezenas de artigos em revistas científicas, como a britânica Nature
ÉPOCA – Por que o senhor diz que pessoas inteligentes não acreditam em Deus?
Richard Lynn – Os mais inteligentes são mais propensos a questionar dogmas religiosos. Em geral, o nível de educação também é maior entre as pessoas de Q.I. maior (um Q.I. médio varia de 91 a 110). Se a pessoa é mais educada, ela tem acesso a teorias alternativas de criação do mundo. Por isso, entendo que um Q.I. alto levará à falta de religiosidade. O estudo que será publicado reuniu dados de diversas pesquisas científicas. E posso afirmar que é o mais completo sobre o assunto.
ÉPOCA – Segundo seu estudo, há países em que a média de Q.I. é alta, assim como o número de pessoas religiosas.
Lynn – Sim, mas são exceções. A média da população dos Estados Unidos, por exemplo, tem Q.I. 98, alto para o padrão mundial, e ao mesmo tempo cerca de 90% das pessoas acreditam em Deus. A explicação é que houve um grande fluxo de imigrantes de países católicos, como México, o que ajuda a manter índices altos de religiosidade nas pesquisas. Mas, se tirarmos as imigrações ao longo dos últimos anos, a população americana teria um índice bem maior de ateus, parecido com o de países como Inglaterra (41,5%) e Alemanha (42%).
ÉPOCA – Cuba é um país mais ateu que os Estados Unidos, mas o nível de Q.I. não é tão alto.
Lynn – Você tem razão. É outra exceção. Pela porcentagem de ateus (40%), o Q.I. (85) dos cubanos deveria ser mais alto que o dos americanos. Mas há também aí um fenômeno não natural que interferiu no resultado. Lá, o comunismo forçou a população a se converter. Houve uma propaganda forte contra a crença religiosa. Não se chegou ao ateísmo pela inteligência. A população cubana não se tornou atéia porque passou a questionar a religião. Foi uma imposição do sistema de governo.
ÉPOCA – E o Brasil, como está?
Lynn – O Brasil segue a lógica, um porcentual baixíssimo de ateus (1%) e Q.I. mediano (87). É um país muito miscigenado e sofreu forte influência do catolicismo de Portugal e dos negros da África. Fica difícil mensurar a participação de cada raça no Q.I. atual. O que posso dizer é que a história do país se reflete em sua inteligência.
domingo, 27 de junho de 2010
Entenda como funciona a escala Richter
Folha Online
Ondas sísmicas são as vibrações de terremotos que viajam pela terra, e a escala Richter é o método mais conhecido para calcular a magnitude delas. Essa escala foi criada em 1935 pelo sismólogo americano Charles F. Richter, que estudava esse tipo de fenômeno no Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos.
Na escala Richter, a magnitude de um terremoto é determinada por um logaritmo aplicado à amplitude de ondas registradas por sismógrafos, aqueles aparelhos que registram as ondas sísmicas por meio de traços em ziguezague --os mais sensíveis captam tremores ocorridos em qualquer lugar do mundo. São realizados ajustes quando há variações na distância entre vários sismógrafos e o epicentro de um tremor.
O total alcançado por um terremoto na escala Richter pode ser expressado em números e frações decimais. Cada número inteiro indica que a quantidade de energia liberada naquele fenômeno foi 31 vezes maior que a liberada no patamar anterior. A escala Richter, portanto, não possui um limite máximo.
Até 2,9
São tremores considerados "micro" e que, normalmente, não são sentidos pelas pessoas.
De 3 a 3,9
Considerados "pequenos", são tremores sentidos por muitos, mas que não deixam danos.
De 4 a 4,9
Tremores "leves" são sentidos por todas as pessoas da região atingida e provocam danos menores, como quebra de objetos.
De 5 a 5,9
São terremotos classificados como "moderados" aqueles capazes de danificar estruturas frágeis.
De 6 a 6,9
Nesse patamar, os terremotos já são considerados "fortes" e podem provocar danos médios, principalmente em áreas muito populosas.
De 7 a 7,9
Tremores considerados "muito fortes" são aqueles que causam mortes e danos severos em áreas geograficamente grandes.
8 ou mais
"Fortíssimos", esses terremotos são capazes de provocar graves destruições e muitas mortes em áreas geograficamente grandes.
Fonte: "Enciclopédia Britannica"
Ondas sísmicas são as vibrações de terremotos que viajam pela terra, e a escala Richter é o método mais conhecido para calcular a magnitude delas. Essa escala foi criada em 1935 pelo sismólogo americano Charles F. Richter, que estudava esse tipo de fenômeno no Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos.
Na escala Richter, a magnitude de um terremoto é determinada por um logaritmo aplicado à amplitude de ondas registradas por sismógrafos, aqueles aparelhos que registram as ondas sísmicas por meio de traços em ziguezague --os mais sensíveis captam tremores ocorridos em qualquer lugar do mundo. São realizados ajustes quando há variações na distância entre vários sismógrafos e o epicentro de um tremor.
O total alcançado por um terremoto na escala Richter pode ser expressado em números e frações decimais. Cada número inteiro indica que a quantidade de energia liberada naquele fenômeno foi 31 vezes maior que a liberada no patamar anterior. A escala Richter, portanto, não possui um limite máximo.
Até 2,9
São tremores considerados "micro" e que, normalmente, não são sentidos pelas pessoas.
De 3 a 3,9
Considerados "pequenos", são tremores sentidos por muitos, mas que não deixam danos.
De 4 a 4,9
Tremores "leves" são sentidos por todas as pessoas da região atingida e provocam danos menores, como quebra de objetos.
De 5 a 5,9
São terremotos classificados como "moderados" aqueles capazes de danificar estruturas frágeis.
De 6 a 6,9
Nesse patamar, os terremotos já são considerados "fortes" e podem provocar danos médios, principalmente em áreas muito populosas.
De 7 a 7,9
Tremores considerados "muito fortes" são aqueles que causam mortes e danos severos em áreas geograficamente grandes.
8 ou mais
"Fortíssimos", esses terremotos são capazes de provocar graves destruições e muitas mortes em áreas geograficamente grandes.
Fonte: "Enciclopédia Britannica"
Dupla faz tomografia 4D em estrutura de carbono
Folha Online
"Átomos são como humanos: a única maneira de saber como se comportam é observando-os em ação."
A frase do Prêmio Nobel Ahmed Zewail, químico do Caltech (EUA), resume a motivação por trás de sua nova invenção: uma tomografia em 4D, que soma as três dimensões espaciais e o tempo.
Para descrever uma estrutura, basta uma foto ou uma maquete. Mas para saber como algo se comporta, é necessário um "filme". Foi o que os cientistas fizeram com nanotubos de carbono, mostrando como se movem e reagem. A "sociologia" dos átomos, nas palavras de Zewail.
Não imagine a tecnologia em hospitais, porém. "Humanos são muito maiores do que as coisas com que se consegue fazer tomografias em 4D", diz Kwon Oh-hoon, pós-doutorando de Zewail.
"Mas o objetivo é elucidar processos biológicos em proteínas, vírus e células. Então essa tecnologia pode contribuir com a saúde humana."
Zewail conta que os já está trabalhando com tomografias 4D de células biológicas. "A técnica é bastante abrangente", diz. Os nanotubos devem ser só o começo.
A escala de tempo é de femtossegundos (um segundo divido por um quatrilhão). Um femtossegundo está para um segundo assim como um segundo está para 32 milhões de anos.
A técnica consiste em somar 4.000 projeções estáticas tiradas de uma série de ângulos e em diferentes momentos, criando um "filme".
O estudo foi publicado no periódico "Science".
"Átomos são como humanos: a única maneira de saber como se comportam é observando-os em ação."
A frase do Prêmio Nobel Ahmed Zewail, químico do Caltech (EUA), resume a motivação por trás de sua nova invenção: uma tomografia em 4D, que soma as três dimensões espaciais e o tempo.
Para descrever uma estrutura, basta uma foto ou uma maquete. Mas para saber como algo se comporta, é necessário um "filme". Foi o que os cientistas fizeram com nanotubos de carbono, mostrando como se movem e reagem. A "sociologia" dos átomos, nas palavras de Zewail.
Não imagine a tecnologia em hospitais, porém. "Humanos são muito maiores do que as coisas com que se consegue fazer tomografias em 4D", diz Kwon Oh-hoon, pós-doutorando de Zewail.
"Mas o objetivo é elucidar processos biológicos em proteínas, vírus e células. Então essa tecnologia pode contribuir com a saúde humana."
Zewail conta que os já está trabalhando com tomografias 4D de células biológicas. "A técnica é bastante abrangente", diz. Os nanotubos devem ser só o começo.
A escala de tempo é de femtossegundos (um segundo divido por um quatrilhão). Um femtossegundo está para um segundo assim como um segundo está para 32 milhões de anos.
A técnica consiste em somar 4.000 projeções estáticas tiradas de uma série de ângulos e em diferentes momentos, criando um "filme".
O estudo foi publicado no periódico "Science".
Corte de verbas soterra pesquisa climática polar brasileira
Folha Online
Um corte de verbas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) ameaça interromper a coleta de dados climáticos que o Brasil faz na Antártida há 25 anos.
As três estações meteorológicas mantidas pelo país poderão ser desativadas, depois que o projeto de meteorologia do Programa Antártico Brasileiro perdeu uma disputa por verbas e foi suspenso pelo órgão, em abril.
"Vou para lá no fim do ano desmontar tudo, paciência", queixa-se o chefe do projeto, Alberto Setzer, meteorologista do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
As estações coletam dados como temperatura, precipitação e velocidade do vento.
Elas são importantes não só para orientar a logística das operações brasileiras, que dependem de monitoramento constante do tempo mal-humorado da região, como também para integrar as séries de dados internacionais que permitem acompanhar como o clima está mudando na Antártida.
Essa informação é crucial para os modelos computacionais que avaliam o impacto do aquecimento global no degelo e no nível do mar. Uma das estações brasileiras tem uma série de dados contínua desde 1940 --é uma das mais longas da Antártida.
No ano passado, Setzer havia concorrido com um pedido de R$ 840 mil num edital de R$ 14 milhões aberto pelo CNPq para financiar a pesquisa antártica.
Até então, a média de gastos com o projeto de meteorologia era cerca de R$ 16 mil por ano. "É o que eles gastam com copinhos descartáveis nas operações", diz.
O projeto foi rejeitado duas vezes. Setzer reclama que nenhum dos três cientistas que julgaram a proposta era da área de clima ou Antártida.
"Esse é um argumento constante que a gente ouve, mas o julgamento científico não precisa ser feito por especialistas na área", disse à Folha José Oswaldo Siqueira, diretor do CNPq.
Segundo ele, o projeto de Setzer foi bem pontuado, mas ficou abaixo da nota de corte para o financiamento. "Recebi 67 propostas, que somavam R$ 42 milhões, tinha só R$ 14 milhões e pude contratar 18 propostas."
"É algo indesejável, mas temos de seguir a 8.666", afirmou Siqueira, referindo-se à Lei de Licitações.
O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, disse que o instituto não vai deixar a coleta de dados acabar. "É uma questão de responsabilidade. Quando você tem uma série histórica de dados, tem de manter. Não tem perigo de esse dado ser interrompido."
Do Blog: LULA DIZ: NUNCA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS SE INVESTIU TANTO EM PESQUISA...
Um corte de verbas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) ameaça interromper a coleta de dados climáticos que o Brasil faz na Antártida há 25 anos.
As três estações meteorológicas mantidas pelo país poderão ser desativadas, depois que o projeto de meteorologia do Programa Antártico Brasileiro perdeu uma disputa por verbas e foi suspenso pelo órgão, em abril.
"Vou para lá no fim do ano desmontar tudo, paciência", queixa-se o chefe do projeto, Alberto Setzer, meteorologista do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
As estações coletam dados como temperatura, precipitação e velocidade do vento.
Elas são importantes não só para orientar a logística das operações brasileiras, que dependem de monitoramento constante do tempo mal-humorado da região, como também para integrar as séries de dados internacionais que permitem acompanhar como o clima está mudando na Antártida.
Essa informação é crucial para os modelos computacionais que avaliam o impacto do aquecimento global no degelo e no nível do mar. Uma das estações brasileiras tem uma série de dados contínua desde 1940 --é uma das mais longas da Antártida.
No ano passado, Setzer havia concorrido com um pedido de R$ 840 mil num edital de R$ 14 milhões aberto pelo CNPq para financiar a pesquisa antártica.
Até então, a média de gastos com o projeto de meteorologia era cerca de R$ 16 mil por ano. "É o que eles gastam com copinhos descartáveis nas operações", diz.
O projeto foi rejeitado duas vezes. Setzer reclama que nenhum dos três cientistas que julgaram a proposta era da área de clima ou Antártida.
"Esse é um argumento constante que a gente ouve, mas o julgamento científico não precisa ser feito por especialistas na área", disse à Folha José Oswaldo Siqueira, diretor do CNPq.
Segundo ele, o projeto de Setzer foi bem pontuado, mas ficou abaixo da nota de corte para o financiamento. "Recebi 67 propostas, que somavam R$ 42 milhões, tinha só R$ 14 milhões e pude contratar 18 propostas."
"É algo indesejável, mas temos de seguir a 8.666", afirmou Siqueira, referindo-se à Lei de Licitações.
O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, disse que o instituto não vai deixar a coleta de dados acabar. "É uma questão de responsabilidade. Quando você tem uma série histórica de dados, tem de manter. Não tem perigo de esse dado ser interrompido."
Do Blog: LULA DIZ: NUNCA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS SE INVESTIU TANTO EM PESQUISA...
Os hermanos são campeões em Copa Gay
Revista TripOs argentinos já ganharam mais mundiais de futebol do que o Brasil. Não, você não leu errado. É isso mesmo, pelo menos na Copa do Mundo de Futebol Gay. Enquanto nós nem sequer tivemos um representante na competição, nossos vizinhos do Los Dogos (foto) já até levantaram a taça de campeão quando sediaram o torneio em 2007. Quem banca o time é a DAG (Deportistas Argentinos Gay), entidade equivalente à CDG Brasil, mas que usufrui de mais apoio, estrutura e verba. A seleção é uma das favoritas para o Gay Games deste ano, torneio que será realizado em Colônia, na Alemanha, entre 31 de julho e 7 de agosto.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
O valor das diferenças para a Democracia
De Reinaldo Azevedo
Não existimos CONTRA eles; existimos APESAR deles. Porque a construção das liberdades individuais já estava aqui antes de eles chegarem. Eles passarão. E elas vão ficar. Somos, no momento, os que zelam pelo fogo do templo.
OBS.: O título é do blog
Não existimos CONTRA eles; existimos APESAR deles. Porque a construção das liberdades individuais já estava aqui antes de eles chegarem. Eles passarão. E elas vão ficar. Somos, no momento, os que zelam pelo fogo do templo.
OBS.: O título é do blog
O defensor dos velhinhos
Revista Veja
O médico Robert Neil Butler criou o primeiro departamento de geriatria nos Estados Unidos. Recebeu prêmio Pulitzer pelo livro Why Survive? Being Old in America e escreveu mais de 300 artigos sobre medicina e envelhecimento.
“Sou otimista em relação ao envelhecimento da população e como as pessoas vão lidar com isso”, diz Robert Neil Butler, presidente do Internacional Longevity Center (Centro Internacional de Longevidade). Assim como vários senhores que chegam aos oitenta e três anos de idade, o psiquiatra e geriatra Robert N. Butler tem muita história para contar. Ao longo de suas mais de oito décadas de vida, Butler escreveu livros, acumulou prêmios e marcos para a história da medicina.
Há 40 anos, ele cunhou o termo “ageism”, para referir-se à discriminação contra idosos. Em 1975, fundou o National Institute on Aging e, no ano seguinte, ganhou um dos mais prestigiados prêmios literários americanos, o Pulitzer, pelo livro Why Survive? Being Old in America (Por que Sobreviver? Envelhecendo na América, sem edição no Brasil). E, em 1982, criou o primeiro departamento de geriatria nos Estados Unidos, na Mount Sinai School of Medicine, em Nova York.
Butler foi o primeiro médico a defender que os estudos sobre o Alzheimer deveriam ter status de prioridade nacional. Mesmo com o passar dos anos, não desanima: continua a lutar por um envelhecimento saudável e por condições ideais de tratamento para os mais velhos. “Precisamos treinar os médicos para que tratem melhor os pacientes idosos. Ninguém deveria se graduar numa escola de medicina sem conhecer os aspectos básicos do envelhecimento”.
Durante sua trajetória, ele assinou mais de 300 artigos científicos e médicos. Neste ano, lançou o livro The Longevity Prescription (A Receita da Longevidade) . Entre as recomendações, a principal: “Sabemos que todos precisam de um propósito, de uma paixão, alguma coisa que dê sentido e faça a diferença para a vida das pessoas– isso ajuda qualquer um a viver mais.” De seu escritório em Nova York, Robert Butler concedeu entrevista a VEJA.com, por telefone.
Com o aumento da expectativa de vida, quais serão os principais desafios da nova realidade demográfica?
Haverá mudanças em vários aspectos. Em primeiro lugar, culturalmente: tanto o Brasil quanto os Estados Unidos terão que se acostumar com essa grande mudança que ocorrerá em nossa sociedade. O envelhecimento global afetará a economia do mundo todo, o modo como lidaremos com os custos de assistência médica, como destinaremos recursos para a saúde e como trataremos certas doenças que surgem com o envelhecimento. Muitos desafios surgirão com essa extraordinária mudança da demografia.
Os avanços da medicina foram responsáveis por estender a vida humana. Mas o senhor acredita que as pessoas estão envelhecendo com a qualidade de vida necessária?
Não posso falar sobre os países em desenvolvimento, mas em lugares como o Japão, França e Estados Unidos, por exemplo, as pessoas não estão apenas vivendo mais tempo, mas observamos queda na taxa de incapacidade funcional (quando um idoso possui dificuldades, psicológicas ou fisiológicas, que interferem diretamente na possibilidade de exercer atividades cotidianas). É que chamamos de “compressão na morbidade”, que significa assegurar qualidade na ampliação da expectativa de vida. Então essa é uma boa notícia porque temos uma vida mais longa, mais saudável e com mais qualidade. Com certeza, é algo mais difícil de se alcançar em países pobres, onde os recursos para a saúde são mais escassos.
O que as pessoas precisam fazer para envelhecer com qualidade?
Recentemente, lancei o livro The Longevity Prescription, que fala sobre prevenção e indica atitudes para uma vida longa saudável: como uma alimentação melhor, exercícios físicos regulares, não fumar, consumir álcool moderadamente. Além disso, também escrevi sobre redução do estresse e a importância da conexão entre as pessoas, como um relacionamento é importante para uma vida saudável. Por exemplo, nós sabemos que pessoas casadas vivem mais do que aquelas que não são. Por último, sabemos que todos precisam de um propósito, de uma paixão, alguma coisa que dê sentido e faça a diferença para a vida dela– isso ajuda qualquer um a viver mais.
O senhor acredita que a geriatria será a especialidade médica do futuro?
Temos cardiologistas, neurologistas, ortopedistas e todos eles são importantes para o tratamento dos idosos. O que precisamos é de um profissional para concentrar os cuidados primários. Nos Estados Unidos, o paciente passa por vários médicos diferentes e cada um dos profissionais passa um medicamento para uma condição específica. O problema é que a combinação dos remédios ou as doses inapropriadas podem não ter o efeito esperado ou podem comprometer a qualidade do tratamento. Ninguém coordena isso. Nesse sentido, a geriatria é extremamente importante. Acho que existe uma preocupação geral na medicina americana sobre como tratar melhor e como dar assistência às pessoas que estão envelhecendo. Mas a verdade é que eles não têm feito muito. Ainda temos trabalho a fazer.
O que pode ser feito para preparar os médicos para cuidar de uma sociedade mais velha?
Precisamos treinar os médicos para que eles tratem melhor os pacientes idosos. Ninguém deveria se graduar numa escola de medicina sem conhecer os aspectos básicos do envelhecimento. Ensiná-los sobre os problemas da prescrição combinada de medicamentos, atentá-los para as características das doenças, já que muitas vezes elas se comportam de maneira diferente durante a velhice. Então temos vários conhecimentos básicos que precisamos ensinar aos médicos para que eles tratem bem os pacientes mais velhos.
Os convênios médicos tendem a ser mais caros para as pessoas mais velhas, que são as que mais precisam. Uma sociedade com idade avançada tende a precisar de mais cuidados médicos. Como resolver essa equação? É possível manter uma longevidade financeiramente segura?
Sim, os serviços de saúde são mais caros para pessoas mais velhas porque elas têm mais que uma doença. Eu acho que uma das formas de tornar esse tratamento mais barato é ter um grupo de médicos para cuidados primários: capazes de tratar as condições mais básicas e de destinar pessoas para os especialistas indicados. E volto a dizer que os profissionais precisam ser treinados. Se houvesse mais preparo, não ocorreriam tantos erros médicos que, além de arriscar a vida dos pacientes, também encarecem o tratamento final. Sem o conhecimento necessário, os médicos podem mandar para a casa um paciente com sintomas de pneumonia ou de ataque cardíaco. Liberar uma pessoa sem tratamento também não é economicamente viável.
Há 40 anos, você cunhou o termo “ageism”, que significa discriminação contra os idosos. Você acredita que houve melhora após esse tempo?
Sinceramente não. Apenas um em cada dez lares especializados em cuidados com idosos americanos possui a estrutura e a qualidade necessária para isso. Ainda temos muitas atitudes negativas relacionadas aos mais velhos. Eles sofrem discriminação no ambiente de trabalho e também são vítimas de preconceito na assistência à saúde. Os médicos parecem estar menos dispostos a tratar uma doença em idosos do que em pacientes mais novos.
O que o senhor pensa sobre fórmulas que prometem uma vida mais longa, como terapia antienvelhecimento?
Ainda temos um longo caminho até chegarmos lá. Mas existem informações promissoras de terapias que seriam capazes de diminuir o ritmo de envelhecimento e assim poderiam retardar o aparecimento de doenças que surgem com o avanço da idade. Eu não disse parar e nem reverter o processo de envelhecimento, mas sim retardar. Por exemplo, 80% de todos os tipos de câncer ocorrem com aqueles que têm mais de 60 anos. Supondo-se que seja possível retardar o envelhecimento, poderíamos adiar o aparecimento do câncer para depois de 70 anos. Teríamos um impacto incrível contra o câncer.
Nós sabemos que o envelhecimento também pode ser um fator de risco para o aparecimento de doenças como o Alzheimer. No passado, o senhor definiu a doença como prioridade nacional de pesquisa científica. O que mudou desde então?
Eu estabeleci o Alzheimer como prioridade nacional em 1977. Naquela ocasião, eram destinados menos de um milhão de dólares para estudos com o Alzheimer. Atualmente, gastamos meio bilhão ou mais. Então, nós estamos estudando mais para tentar entender como funciona essa doença devastadora. No entanto, nós ainda não encontramos a cura, mas muito bons trabalhos têm sido realizados durante esses anos.
O senhor acredita que é possível que a nova geração tenha um tempo de vida menor do que a geração atual por conta da epidemia da obesidade?
É um problema muito sério. Tenho uma grande angústia em ver como os jovens americanos estão se alimentando atualmente e para onde isso poderá levá-los. Crianças estão obesas, com diabetes e outros problemas relacionados. As pessoas precisam mudar sua alimentação. Nossas crianças precisam comer mais frutas e vegetais e devem ser orientadas sobre a ingestão excessiva de calorias.
O aumento da expectativa de vida não é um fenômeno apenas dos Estados Unidos, é mundial. Como o senhor enxerga essa situação daqui a cinquenta anos?
Sim, é um fenômeno mundial. Por isso, acho que no futuro as nações devem se unir para melhorar a qualidade de vida e controlar o gasto econômico ao mesmo tempo. Sou otimista em relação ao envelhecimento da população e em como as pessoas vão lidar com isso. O Brasil também vai melhorar, deve diminuir a taxa de incapacidade funcional. Acredito que vamos continuar a melhorar as condições de vida dos idosos com o passar do tempo. E espero, principalmente no caso da obesidade, que possamos reverter essa situação.
Você acredita que os governos farão o necessário para lidar com o envelhecimento da população?
Acho que não são só os governos que têm essa responsabilidade. Médicos, familiares e os próprios indivíduos podem fazer sua parte para melhorar a qualidade de vida e garantir um envelhecimento saudável da população. Acho que não estamos fazendo o que poderíamos fazer pelas pessoas mais velhas. Além disso, os próprios idosos poderiam contribuir, por exemplo, trabalhando por mais tempo – em vez de se aposentar. Aqueles que trabalham mais beneficiam sua própria saúde e também ajudam a sociedade. As pessoas podem fazer trabalhos voluntários. Você consegue dois benefícios pelo preço de um. Cuidando de si próprio e colaborando para a sociedade.
Eu sei que você é um grande especialista nesse tema, o grande incentivador desse debate. Mas o que fez o senhor se interessar por esse assunto?
Bem, precisamos voltar para 1955, quando eu era um jovem médico de alguma forma eu pensava no crescimento da população mais velha. Esse era um assunto muito desafiador porque ainda não sabíamos muito sobre envelhecimento. Eu pensava que as pessoas iriam envelhecer e que elas precisariam de atenção.
Quando era criança, o senhor chegou a cogitar em seguir essa carreira?
É fascinante que você tenha me perguntado isso. Quando criança, eu era muito próximo do meu avô, nós vivemos muitos bons momentos juntos. Sofri muito quando ele morreu subitamente. Com sete anos, decidi que queria me tornar médico. Eu tinha certeza que se eu estudasse isso, poderia ajudar pessoas como ele. E assim as pessoas poderiam viver por mais tempo.
Algumas pessoas têm medo de envelhecer. O que o senhor pode dizer a elas?
O que eu sei é que muitas pessoas têm medo de morrer e ficam ansiosas por saber como elas vão morrer. O mais importante é mostrar para as pessoas que uma vida saudável e de alta qualidade é possível. Os idosos que vivem o melhor da vida conseguem lidar melhor com esse medo.
O médico Robert Neil Butler criou o primeiro departamento de geriatria nos Estados Unidos. Recebeu prêmio Pulitzer pelo livro Why Survive? Being Old in America e escreveu mais de 300 artigos sobre medicina e envelhecimento.
“Sou otimista em relação ao envelhecimento da população e como as pessoas vão lidar com isso”, diz Robert Neil Butler, presidente do Internacional Longevity Center (Centro Internacional de Longevidade). Assim como vários senhores que chegam aos oitenta e três anos de idade, o psiquiatra e geriatra Robert N. Butler tem muita história para contar. Ao longo de suas mais de oito décadas de vida, Butler escreveu livros, acumulou prêmios e marcos para a história da medicina.
Há 40 anos, ele cunhou o termo “ageism”, para referir-se à discriminação contra idosos. Em 1975, fundou o National Institute on Aging e, no ano seguinte, ganhou um dos mais prestigiados prêmios literários americanos, o Pulitzer, pelo livro Why Survive? Being Old in America (Por que Sobreviver? Envelhecendo na América, sem edição no Brasil). E, em 1982, criou o primeiro departamento de geriatria nos Estados Unidos, na Mount Sinai School of Medicine, em Nova York.
Butler foi o primeiro médico a defender que os estudos sobre o Alzheimer deveriam ter status de prioridade nacional. Mesmo com o passar dos anos, não desanima: continua a lutar por um envelhecimento saudável e por condições ideais de tratamento para os mais velhos. “Precisamos treinar os médicos para que tratem melhor os pacientes idosos. Ninguém deveria se graduar numa escola de medicina sem conhecer os aspectos básicos do envelhecimento”.
Durante sua trajetória, ele assinou mais de 300 artigos científicos e médicos. Neste ano, lançou o livro The Longevity Prescription (A Receita da Longevidade) . Entre as recomendações, a principal: “Sabemos que todos precisam de um propósito, de uma paixão, alguma coisa que dê sentido e faça a diferença para a vida das pessoas– isso ajuda qualquer um a viver mais.” De seu escritório em Nova York, Robert Butler concedeu entrevista a VEJA.com, por telefone.
Com o aumento da expectativa de vida, quais serão os principais desafios da nova realidade demográfica?
Haverá mudanças em vários aspectos. Em primeiro lugar, culturalmente: tanto o Brasil quanto os Estados Unidos terão que se acostumar com essa grande mudança que ocorrerá em nossa sociedade. O envelhecimento global afetará a economia do mundo todo, o modo como lidaremos com os custos de assistência médica, como destinaremos recursos para a saúde e como trataremos certas doenças que surgem com o envelhecimento. Muitos desafios surgirão com essa extraordinária mudança da demografia.
Os avanços da medicina foram responsáveis por estender a vida humana. Mas o senhor acredita que as pessoas estão envelhecendo com a qualidade de vida necessária?
Não posso falar sobre os países em desenvolvimento, mas em lugares como o Japão, França e Estados Unidos, por exemplo, as pessoas não estão apenas vivendo mais tempo, mas observamos queda na taxa de incapacidade funcional (quando um idoso possui dificuldades, psicológicas ou fisiológicas, que interferem diretamente na possibilidade de exercer atividades cotidianas). É que chamamos de “compressão na morbidade”, que significa assegurar qualidade na ampliação da expectativa de vida. Então essa é uma boa notícia porque temos uma vida mais longa, mais saudável e com mais qualidade. Com certeza, é algo mais difícil de se alcançar em países pobres, onde os recursos para a saúde são mais escassos.
O que as pessoas precisam fazer para envelhecer com qualidade?
Recentemente, lancei o livro The Longevity Prescription, que fala sobre prevenção e indica atitudes para uma vida longa saudável: como uma alimentação melhor, exercícios físicos regulares, não fumar, consumir álcool moderadamente. Além disso, também escrevi sobre redução do estresse e a importância da conexão entre as pessoas, como um relacionamento é importante para uma vida saudável. Por exemplo, nós sabemos que pessoas casadas vivem mais do que aquelas que não são. Por último, sabemos que todos precisam de um propósito, de uma paixão, alguma coisa que dê sentido e faça a diferença para a vida dela– isso ajuda qualquer um a viver mais.
O senhor acredita que a geriatria será a especialidade médica do futuro?
Temos cardiologistas, neurologistas, ortopedistas e todos eles são importantes para o tratamento dos idosos. O que precisamos é de um profissional para concentrar os cuidados primários. Nos Estados Unidos, o paciente passa por vários médicos diferentes e cada um dos profissionais passa um medicamento para uma condição específica. O problema é que a combinação dos remédios ou as doses inapropriadas podem não ter o efeito esperado ou podem comprometer a qualidade do tratamento. Ninguém coordena isso. Nesse sentido, a geriatria é extremamente importante. Acho que existe uma preocupação geral na medicina americana sobre como tratar melhor e como dar assistência às pessoas que estão envelhecendo. Mas a verdade é que eles não têm feito muito. Ainda temos trabalho a fazer.
O que pode ser feito para preparar os médicos para cuidar de uma sociedade mais velha?
Precisamos treinar os médicos para que eles tratem melhor os pacientes idosos. Ninguém deveria se graduar numa escola de medicina sem conhecer os aspectos básicos do envelhecimento. Ensiná-los sobre os problemas da prescrição combinada de medicamentos, atentá-los para as características das doenças, já que muitas vezes elas se comportam de maneira diferente durante a velhice. Então temos vários conhecimentos básicos que precisamos ensinar aos médicos para que eles tratem bem os pacientes mais velhos.
Os convênios médicos tendem a ser mais caros para as pessoas mais velhas, que são as que mais precisam. Uma sociedade com idade avançada tende a precisar de mais cuidados médicos. Como resolver essa equação? É possível manter uma longevidade financeiramente segura?
Sim, os serviços de saúde são mais caros para pessoas mais velhas porque elas têm mais que uma doença. Eu acho que uma das formas de tornar esse tratamento mais barato é ter um grupo de médicos para cuidados primários: capazes de tratar as condições mais básicas e de destinar pessoas para os especialistas indicados. E volto a dizer que os profissionais precisam ser treinados. Se houvesse mais preparo, não ocorreriam tantos erros médicos que, além de arriscar a vida dos pacientes, também encarecem o tratamento final. Sem o conhecimento necessário, os médicos podem mandar para a casa um paciente com sintomas de pneumonia ou de ataque cardíaco. Liberar uma pessoa sem tratamento também não é economicamente viável.
Há 40 anos, você cunhou o termo “ageism”, que significa discriminação contra os idosos. Você acredita que houve melhora após esse tempo?
Sinceramente não. Apenas um em cada dez lares especializados em cuidados com idosos americanos possui a estrutura e a qualidade necessária para isso. Ainda temos muitas atitudes negativas relacionadas aos mais velhos. Eles sofrem discriminação no ambiente de trabalho e também são vítimas de preconceito na assistência à saúde. Os médicos parecem estar menos dispostos a tratar uma doença em idosos do que em pacientes mais novos.
O que o senhor pensa sobre fórmulas que prometem uma vida mais longa, como terapia antienvelhecimento?
Ainda temos um longo caminho até chegarmos lá. Mas existem informações promissoras de terapias que seriam capazes de diminuir o ritmo de envelhecimento e assim poderiam retardar o aparecimento de doenças que surgem com o avanço da idade. Eu não disse parar e nem reverter o processo de envelhecimento, mas sim retardar. Por exemplo, 80% de todos os tipos de câncer ocorrem com aqueles que têm mais de 60 anos. Supondo-se que seja possível retardar o envelhecimento, poderíamos adiar o aparecimento do câncer para depois de 70 anos. Teríamos um impacto incrível contra o câncer.
Nós sabemos que o envelhecimento também pode ser um fator de risco para o aparecimento de doenças como o Alzheimer. No passado, o senhor definiu a doença como prioridade nacional de pesquisa científica. O que mudou desde então?
Eu estabeleci o Alzheimer como prioridade nacional em 1977. Naquela ocasião, eram destinados menos de um milhão de dólares para estudos com o Alzheimer. Atualmente, gastamos meio bilhão ou mais. Então, nós estamos estudando mais para tentar entender como funciona essa doença devastadora. No entanto, nós ainda não encontramos a cura, mas muito bons trabalhos têm sido realizados durante esses anos.
O senhor acredita que é possível que a nova geração tenha um tempo de vida menor do que a geração atual por conta da epidemia da obesidade?
É um problema muito sério. Tenho uma grande angústia em ver como os jovens americanos estão se alimentando atualmente e para onde isso poderá levá-los. Crianças estão obesas, com diabetes e outros problemas relacionados. As pessoas precisam mudar sua alimentação. Nossas crianças precisam comer mais frutas e vegetais e devem ser orientadas sobre a ingestão excessiva de calorias.
O aumento da expectativa de vida não é um fenômeno apenas dos Estados Unidos, é mundial. Como o senhor enxerga essa situação daqui a cinquenta anos?
Sim, é um fenômeno mundial. Por isso, acho que no futuro as nações devem se unir para melhorar a qualidade de vida e controlar o gasto econômico ao mesmo tempo. Sou otimista em relação ao envelhecimento da população e em como as pessoas vão lidar com isso. O Brasil também vai melhorar, deve diminuir a taxa de incapacidade funcional. Acredito que vamos continuar a melhorar as condições de vida dos idosos com o passar do tempo. E espero, principalmente no caso da obesidade, que possamos reverter essa situação.
Você acredita que os governos farão o necessário para lidar com o envelhecimento da população?
Acho que não são só os governos que têm essa responsabilidade. Médicos, familiares e os próprios indivíduos podem fazer sua parte para melhorar a qualidade de vida e garantir um envelhecimento saudável da população. Acho que não estamos fazendo o que poderíamos fazer pelas pessoas mais velhas. Além disso, os próprios idosos poderiam contribuir, por exemplo, trabalhando por mais tempo – em vez de se aposentar. Aqueles que trabalham mais beneficiam sua própria saúde e também ajudam a sociedade. As pessoas podem fazer trabalhos voluntários. Você consegue dois benefícios pelo preço de um. Cuidando de si próprio e colaborando para a sociedade.
Eu sei que você é um grande especialista nesse tema, o grande incentivador desse debate. Mas o que fez o senhor se interessar por esse assunto?
Bem, precisamos voltar para 1955, quando eu era um jovem médico de alguma forma eu pensava no crescimento da população mais velha. Esse era um assunto muito desafiador porque ainda não sabíamos muito sobre envelhecimento. Eu pensava que as pessoas iriam envelhecer e que elas precisariam de atenção.
Quando era criança, o senhor chegou a cogitar em seguir essa carreira?
É fascinante que você tenha me perguntado isso. Quando criança, eu era muito próximo do meu avô, nós vivemos muitos bons momentos juntos. Sofri muito quando ele morreu subitamente. Com sete anos, decidi que queria me tornar médico. Eu tinha certeza que se eu estudasse isso, poderia ajudar pessoas como ele. E assim as pessoas poderiam viver por mais tempo.
Algumas pessoas têm medo de envelhecer. O que o senhor pode dizer a elas?
O que eu sei é que muitas pessoas têm medo de morrer e ficam ansiosas por saber como elas vão morrer. O mais importante é mostrar para as pessoas que uma vida saudável e de alta qualidade é possível. Os idosos que vivem o melhor da vida conseguem lidar melhor com esse medo.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
ALAGOAS E PERNAMBUCO - Calamidades naturais e públicas
Editorial do Estadão
Dezenas de mortes já foram confirmadas, há mais de 600 pessoas desaparecidas, mais de 115mil desabrigados e cidades inteiras foram praticamente destruídas pelos temporais que caíram sobre os Estados de Alagoas e Pernambuco. Faltam alimentos, água potável e energia em algumas regiões e as comunicações são precárias. O governo liberou R$ 100 milhões para obras de reconstrução. Uma parcela de R$ 50 milhões já está disponível e a outra metade, destinada à recuperação da infraestrutura, vai demorar um mês ou mais para poder ser usada — um tempo enorme numa situação como essa —, devido à burocracia. Depois dos catastróficos efeitos dos deslizamentos das encostas no Rio, das enchentes em São Paulo e em Santa Catarina, o que se pergunta é o que o governo tem feito em matéria de prevenção?
Muito pouco e muito seletivamente. O governo federal é pródigo em gastos, mas não nesse caso ? só despendeu 14% (R$ 70,4 milhões) dos R$ 508,3 milhões previstos no orçamento para “prevenção de desastres”. Como informa o portal Contas Abertas, o Estado de Alagoas, o mais atingido pelas cheias, não recebeu um centavo do governo federal para prevenção em 2010. Pernambuco teve um pouquinho mais de sorte. Foram-lhe repassados R$ 172,2 mil, ou seja, 1% das dotações específicas do Ministério da Integração Nacional. Do total liberado, a Bahia recebeu 57% (R$ 40,1 milhões). Não por coincidência o titular da Pasta até abril era Geddel Vieira Lima (PMDB), hoje candidato ao governo daquele Estado.
Em auditoria anteriormente realizada, o TCU já havia observado o favorecimento à Bahia durante a gestão de Vieira Lima no Ministério. Como se recorda, o presidente Lula tomou-lhe as dores, negando, peremptoriamente, qualquer benefício indevido. Os números, porém, falam por si. É verdade que Alagoas foi aquinhoada com R$ 3,8 milhões do governo federal em 2010 “para ações de assistência de socorro e assistência a pessoas afetadas por calamidades”, mas trata-se de verba relativa às chuvas de 2009. Isso, porém, representa apenas 1% do montante repassado por meio desse programa em todo o País (R$ 542,6 milhões). Pernambuco foi contemplado com R$ 19,8 milhões, não mais que 4% desse total.
O Estado do Rio sofreu muito com as enchentes e deslizamentos de encostas em abril deste ano e é compreensível que tenha recebido 22% (R$ 118,3 milhões) das verbas alocadas para esse fim. Agora, com a liberação de novos recursos, Alagoas e Pernambuco devem também elevar sua participação. O governo age depois de a porta ter sido arrombada. Está claro que a gestão de recursos para prevenção é ditada por interesses político-partidários.
É preciso, de uma vez por todas, acabar com o manejo errático de verbas pelo governo central, nesses casos em que a ingerência política pode comprometer a vida de milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, o Brasil tem de desenvolver meios para prevenir catástrofes e se, muitas vezes, elas vão além das previsões, é indispensável criar instrumentos que permitam uma ação rápida e eficaz de assistência às populações atingidas por flagelos. O Brasil sempre está sujeito a acidentes climáticos em diferentes regiões, em qualquer época do ano. As pesadas chuvas que caíram sobre os dois Estados do Nordeste podem ter sido anômalas, podem ter resultado do efeito La Niña, mas, com certeza, não foi esta a primeira vez que ocorreram.
Como têm ressaltado os técnicos, faltam estudos que orientem a preservação de matas ciliares e fiscalização que evite a ocupação irregular das margens de rios. E, como as tempestades deste ano têm mostrado tão dramaticamente, não se pode permitir a construção de moradias em áreas sabidamente de risco.
Tudo isso requer que o dinheiro disponível não seja usado para distribuir benesses políticas e haja disposição para vencer uma intratável burocracia. Está na hora de o poder público fazer respeitar as normas de uso e ocupação do solo e de termos uma Defesa Civil que efetivamente previna os desastres naturais e seja capaz de prestar socorro imediato às suas vítimas.
Dezenas de mortes já foram confirmadas, há mais de 600 pessoas desaparecidas, mais de 115mil desabrigados e cidades inteiras foram praticamente destruídas pelos temporais que caíram sobre os Estados de Alagoas e Pernambuco. Faltam alimentos, água potável e energia em algumas regiões e as comunicações são precárias. O governo liberou R$ 100 milhões para obras de reconstrução. Uma parcela de R$ 50 milhões já está disponível e a outra metade, destinada à recuperação da infraestrutura, vai demorar um mês ou mais para poder ser usada — um tempo enorme numa situação como essa —, devido à burocracia. Depois dos catastróficos efeitos dos deslizamentos das encostas no Rio, das enchentes em São Paulo e em Santa Catarina, o que se pergunta é o que o governo tem feito em matéria de prevenção?
Muito pouco e muito seletivamente. O governo federal é pródigo em gastos, mas não nesse caso ? só despendeu 14% (R$ 70,4 milhões) dos R$ 508,3 milhões previstos no orçamento para “prevenção de desastres”. Como informa o portal Contas Abertas, o Estado de Alagoas, o mais atingido pelas cheias, não recebeu um centavo do governo federal para prevenção em 2010. Pernambuco teve um pouquinho mais de sorte. Foram-lhe repassados R$ 172,2 mil, ou seja, 1% das dotações específicas do Ministério da Integração Nacional. Do total liberado, a Bahia recebeu 57% (R$ 40,1 milhões). Não por coincidência o titular da Pasta até abril era Geddel Vieira Lima (PMDB), hoje candidato ao governo daquele Estado.
Em auditoria anteriormente realizada, o TCU já havia observado o favorecimento à Bahia durante a gestão de Vieira Lima no Ministério. Como se recorda, o presidente Lula tomou-lhe as dores, negando, peremptoriamente, qualquer benefício indevido. Os números, porém, falam por si. É verdade que Alagoas foi aquinhoada com R$ 3,8 milhões do governo federal em 2010 “para ações de assistência de socorro e assistência a pessoas afetadas por calamidades”, mas trata-se de verba relativa às chuvas de 2009. Isso, porém, representa apenas 1% do montante repassado por meio desse programa em todo o País (R$ 542,6 milhões). Pernambuco foi contemplado com R$ 19,8 milhões, não mais que 4% desse total.
O Estado do Rio sofreu muito com as enchentes e deslizamentos de encostas em abril deste ano e é compreensível que tenha recebido 22% (R$ 118,3 milhões) das verbas alocadas para esse fim. Agora, com a liberação de novos recursos, Alagoas e Pernambuco devem também elevar sua participação. O governo age depois de a porta ter sido arrombada. Está claro que a gestão de recursos para prevenção é ditada por interesses político-partidários.
É preciso, de uma vez por todas, acabar com o manejo errático de verbas pelo governo central, nesses casos em que a ingerência política pode comprometer a vida de milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, o Brasil tem de desenvolver meios para prevenir catástrofes e se, muitas vezes, elas vão além das previsões, é indispensável criar instrumentos que permitam uma ação rápida e eficaz de assistência às populações atingidas por flagelos. O Brasil sempre está sujeito a acidentes climáticos em diferentes regiões, em qualquer época do ano. As pesadas chuvas que caíram sobre os dois Estados do Nordeste podem ter sido anômalas, podem ter resultado do efeito La Niña, mas, com certeza, não foi esta a primeira vez que ocorreram.
Como têm ressaltado os técnicos, faltam estudos que orientem a preservação de matas ciliares e fiscalização que evite a ocupação irregular das margens de rios. E, como as tempestades deste ano têm mostrado tão dramaticamente, não se pode permitir a construção de moradias em áreas sabidamente de risco.
Tudo isso requer que o dinheiro disponível não seja usado para distribuir benesses políticas e haja disposição para vencer uma intratável burocracia. Está na hora de o poder público fazer respeitar as normas de uso e ocupação do solo e de termos uma Defesa Civil que efetivamente previna os desastres naturais e seja capaz de prestar socorro imediato às suas vítimas.
Terry e o amor a seu país

O que vcs podem ver na foto é o zaqueiro Terry da Inglaterra tentando desesperadamente bloquear o chute do atacante da Eslovenia. Ele se atira de cara para a bola. Vejam em John Terry Dedication.mp4 no You Tube.
Isso é exemplo para qualquer um que defenda um páis, seja ele no esporte, na política ou no buteco discutindo futebol com argentinos.
Cérebro insensível é mais vulnerável à corrupção, dizem pesquisadores
Folha.com
Uma pessoa que não tem medo diante de ameaças e que não sente indignação está mais vulnerável ao comportamento corrupto.
A hipótese, baseada na análise de imagens do cérebro captadas por meio de ressonâncias magnéticas funcionais e em exames que detectam as descargas de adrenalina do sistema nervoso, foi apresentada hoje no congresso Cérebro, Comportamento e Emoções, em Gramado, pelo neurologista André Palmini, da PUC do Rio Grande do Sul.
Palmini explicou que há um senso de justiça presente no cérebro de quase todas as pessoas. Quando presenciamos a justiça sendo feita, sentimos uma identificação com isso, uma empatia. Se vemos uma injustiça, sentimos nojo. "Quando sentimos nojo, ativamos a ínsula, região do cérebro essencial para o comportamento moral", disse o médico. Daí vem a sensação de indignação que normalmente surge diante da corrupção. Mas, como cada cérebro é diferente, há quem tenha reações diferentes.
De acordo com as pesquisas citadas pelo médico, é possível observar as conexões entre as regiões morais do cérebro: o cíngulo anterior e a ínsula. Assim como cada região do cérebro tem funções específicas, essas conexões também desempenham seus próprios papéis.
Nesses estudos, foram aplicadas escalas para medir o nível de empatia das pessoas em relação à sociedade. Quanto menor a conexão entre essas duas regiões emocionais e morais do cérebro, menor a capacidade que o indivíduo tem de funcionar socialmente. Em pessoas com conexões mais fortes, havia maior capacidade de indignação e entendimento da moral.
"O status dessas redes neurais influenciam a maneira como valorizamos os estímulos do ambiente. Isso varia muito entre as pessoas e é a base de como sentimos o mundo e como tomamos decisões", disse Palmini.
Em outro estudo, que media a reação de adrenalina em pessoas submetidas a situações de estresse, por meio da condutividade elétrica da pele, algumas não reagiam às ameaças. De acordo com o neurologista, isso indica que elas eram insensíveis. "Essa condição leva à tomada de decisão inadequada, porque a pessoa fica vulnerável a correr riscos desnecessários."
Crianças que apresentaram essa falta de reação aos três anos não respondiam a punições verbais. Aos oito, elas já tinham comportamentos agressivos. Elas não eram sensíveis ao meio, não mobilizavam seu "cérebro emocional".
"Quem não se condicionava, não tinha medo, tinha mais risco de cometer crimes mais tarde, aos 20 anos", afirmou Palmini.
Um cérebro que amadurece nessas condições fica mais predisposto a ter uma personalidade psicopata, segundo o médico. A ausência do medo da punição facilita o comportamento corrupto, aliada aos fatores ambientais, como a oportunidade de cometer delitos.
CORRUPTOS LESADOS
O pesquisador Antoine Bechara, da Universidade de Iowa, também apresentou sua explicação para esses comportamentos desviantes.
A ausência de moral do corrupto, segundo Bechara, é similar àquela apresentada pelos psicopatas, que não se preocupam com o outro. "Em pessoas normais, os valores morais e os riscos são ligados. Não há por que violar as regras", disse o neurologista.
O pesquisador afirma que há duas explicações para o cérebro corrupto. Ou há uma lesão cerebral, por motivos genéticos ou traumas sofridos na infância, ou a pessoa não tem lesão alguma, mas cresceu em um ambiente onde a corrupção não é punida.
O primeiro grupo não tem como aprender a diferenciar certo e errado, mesmo que sofra punições. Já o segundo pode conseguir se ajustar, se houver mudanças no ambiente.
De acordo com Bechara, pessoas com anormalidades no córtex pré-frontal repetem os erros, ainda que tenham uma alta capacidade intelectual. "Elas podem até ser mais bem sucedidas do que as pessoas normais, dependendo do meio em que atuam", disse o neurologista.
Ele explica suas conclusões por meio de um teste de jogo chamado Iowa Gambling Test. Nesse exame, são exibidas quatro possibilidades de aposta para o voluntário. Um par dá mais ganhos imediatos, mas leva a perdas maiores a longo prazo. O outro dá menos benefícios imediatos, mas resulta em um ganho grande no final.
Pessoas sem lesões cerebrais, em geral, sabem escolher a opção mais vantajosa a longo prazo. Quando há a lesão no córtex frontal, a pessoa erra mesmo quando já sabe qual é a melhor escolha. "Ainda que elas tenham uma reação negativa em relação à perda, não temem essa punição na hora de tomar a decisão", explicou Bechara.
Além de serem destemidas, essas pessoas não julgam moralmente os outros. Em testes que apresentam aos voluntários uma história de tentativa de homicídio que não dá certo, os normais acham isso um crime. As pessoas com lesão se mostram mais permissivas.
O curioso, segundo o neurologista, é que há pessoas normais que se comportam como se tivessem a lesão cerebral. Talvez, disse ele, elas tenham algum problema cerebral indetectável em exames. "Essas pessoas também são vulneráveis a comportamentos antissociais como a corrupção."
Ao final, Bechara lembrou que os psicopatas não são só os assassinos. "Eles estão na sociedade. Podem ser empresários, políticos, pessoas que não cometem crimes violentos, mas que exploram os outros, são imorais, usam cargos públicos para enriquecer e prejudicar os outros. Está na hora de revisitar as causas cerebrais para estudar o comportamento corrupto."
Uma pessoa que não tem medo diante de ameaças e que não sente indignação está mais vulnerável ao comportamento corrupto.
A hipótese, baseada na análise de imagens do cérebro captadas por meio de ressonâncias magnéticas funcionais e em exames que detectam as descargas de adrenalina do sistema nervoso, foi apresentada hoje no congresso Cérebro, Comportamento e Emoções, em Gramado, pelo neurologista André Palmini, da PUC do Rio Grande do Sul.
Palmini explicou que há um senso de justiça presente no cérebro de quase todas as pessoas. Quando presenciamos a justiça sendo feita, sentimos uma identificação com isso, uma empatia. Se vemos uma injustiça, sentimos nojo. "Quando sentimos nojo, ativamos a ínsula, região do cérebro essencial para o comportamento moral", disse o médico. Daí vem a sensação de indignação que normalmente surge diante da corrupção. Mas, como cada cérebro é diferente, há quem tenha reações diferentes.
De acordo com as pesquisas citadas pelo médico, é possível observar as conexões entre as regiões morais do cérebro: o cíngulo anterior e a ínsula. Assim como cada região do cérebro tem funções específicas, essas conexões também desempenham seus próprios papéis.
Nesses estudos, foram aplicadas escalas para medir o nível de empatia das pessoas em relação à sociedade. Quanto menor a conexão entre essas duas regiões emocionais e morais do cérebro, menor a capacidade que o indivíduo tem de funcionar socialmente. Em pessoas com conexões mais fortes, havia maior capacidade de indignação e entendimento da moral.
"O status dessas redes neurais influenciam a maneira como valorizamos os estímulos do ambiente. Isso varia muito entre as pessoas e é a base de como sentimos o mundo e como tomamos decisões", disse Palmini.
Em outro estudo, que media a reação de adrenalina em pessoas submetidas a situações de estresse, por meio da condutividade elétrica da pele, algumas não reagiam às ameaças. De acordo com o neurologista, isso indica que elas eram insensíveis. "Essa condição leva à tomada de decisão inadequada, porque a pessoa fica vulnerável a correr riscos desnecessários."
Crianças que apresentaram essa falta de reação aos três anos não respondiam a punições verbais. Aos oito, elas já tinham comportamentos agressivos. Elas não eram sensíveis ao meio, não mobilizavam seu "cérebro emocional".
"Quem não se condicionava, não tinha medo, tinha mais risco de cometer crimes mais tarde, aos 20 anos", afirmou Palmini.
Um cérebro que amadurece nessas condições fica mais predisposto a ter uma personalidade psicopata, segundo o médico. A ausência do medo da punição facilita o comportamento corrupto, aliada aos fatores ambientais, como a oportunidade de cometer delitos.
CORRUPTOS LESADOS
O pesquisador Antoine Bechara, da Universidade de Iowa, também apresentou sua explicação para esses comportamentos desviantes.
A ausência de moral do corrupto, segundo Bechara, é similar àquela apresentada pelos psicopatas, que não se preocupam com o outro. "Em pessoas normais, os valores morais e os riscos são ligados. Não há por que violar as regras", disse o neurologista.
O pesquisador afirma que há duas explicações para o cérebro corrupto. Ou há uma lesão cerebral, por motivos genéticos ou traumas sofridos na infância, ou a pessoa não tem lesão alguma, mas cresceu em um ambiente onde a corrupção não é punida.
O primeiro grupo não tem como aprender a diferenciar certo e errado, mesmo que sofra punições. Já o segundo pode conseguir se ajustar, se houver mudanças no ambiente.
De acordo com Bechara, pessoas com anormalidades no córtex pré-frontal repetem os erros, ainda que tenham uma alta capacidade intelectual. "Elas podem até ser mais bem sucedidas do que as pessoas normais, dependendo do meio em que atuam", disse o neurologista.
Ele explica suas conclusões por meio de um teste de jogo chamado Iowa Gambling Test. Nesse exame, são exibidas quatro possibilidades de aposta para o voluntário. Um par dá mais ganhos imediatos, mas leva a perdas maiores a longo prazo. O outro dá menos benefícios imediatos, mas resulta em um ganho grande no final.
Pessoas sem lesões cerebrais, em geral, sabem escolher a opção mais vantajosa a longo prazo. Quando há a lesão no córtex frontal, a pessoa erra mesmo quando já sabe qual é a melhor escolha. "Ainda que elas tenham uma reação negativa em relação à perda, não temem essa punição na hora de tomar a decisão", explicou Bechara.
Além de serem destemidas, essas pessoas não julgam moralmente os outros. Em testes que apresentam aos voluntários uma história de tentativa de homicídio que não dá certo, os normais acham isso um crime. As pessoas com lesão se mostram mais permissivas.
O curioso, segundo o neurologista, é que há pessoas normais que se comportam como se tivessem a lesão cerebral. Talvez, disse ele, elas tenham algum problema cerebral indetectável em exames. "Essas pessoas também são vulneráveis a comportamentos antissociais como a corrupção."
Ao final, Bechara lembrou que os psicopatas não são só os assassinos. "Eles estão na sociedade. Podem ser empresários, políticos, pessoas que não cometem crimes violentos, mas que exploram os outros, são imorais, usam cargos públicos para enriquecer e prejudicar os outros. Está na hora de revisitar as causas cerebrais para estudar o comportamento corrupto."
Países descartam acordo sobre caça a baleias
Folha.com
Ao que tudo indica, caiu por terra a proposta da presidência da CIB (Comissão Internacional da Baleia) para retomar de forma limitada a atividade baleeira comercial nos próximos dez anos.
Depois de dois dias de negociações sigilosas entre nações que defendem a conservação de baleias e países que já caçam ou pretendem caçá-las, o único consenso na sessão plenária da CIB ocorrida ontem em Agadir, Marrocos, é que não há consenso.
"Acho que é hora de deixar de lado esse documento", disse às demais delegações o ministro Fábio Vaz Pitaluga, do Itamaraty, negociador do Brasil na CIB.
"Não era possível continuar trabalhando com ele, embora algumas coisas do texto talvez possam ser aproveitadas", declarou à Folha.
A posição brasileira se alinha com a da Austrália, que afirmou que o melhor era deixar a proposta para trás.
Ao lado do Brasil também ficaram Argentina, Uruguai, Chile e outros países latino-americanos, que adotam posição conservacionista.
"Coisas estranhas às vezes acontecem em negociações internacionais, mas acho difícil que essa proposta seja retomada nesta reunião", afirmou Pitaluga.
O ministro australiano do Ambiente, Peter Garrett, ressaltou que a decisão de engavetar o documento "não era o fim do mundo".
"Não acho que a CIB tenha se tornado disfuncional", disse Garrett, em direta contradição com o que havia dito à imprensa sobre a "disfuncionalidade" da comissão.
A proposta rejeitada teve o patrocínio dos diplomatas Cristián Maquieira, do Chile, e Anthony Liverpool, de Antígua e Barbuda, respectivamente presidente e vice da CIB. Segundo o texto, o abate dos grandes cetáceos seria permitido ao longo da próxima década, embora com cotas de captura menores do que as praticadas hoje.
Nações baleeiras, além disso, teriam de se submeter ao monitoramento internacional de suas atividades.
As falas na plenária pareciam seguir um script que é velho conhecido dos veteranos de reuniões da CIB.
O Japão, principal país baleeiro, argumentou que os membros da comissão deveriam "respeitar os dados levantados pelo comitê científico da CIB" os quais "tornavam possível a atividade baleeira sustentável".
DECLÍNIO
Curiosamente, contudo, o relatório do comitê científico, apresentado na mesma tarde, mostrou um declínio nas populações de baleias minkes da Antártida, principal alvo dos japoneses.
Os únicos não-baleeiros a apoiar publicamente o Japão foram os países-ilhas do Caribe e do Pacífico, bem como a Tanzânia. Há denúncias de que o Japão arrebanha o apoio dessas nações em troca de ajuda financeira.
Os caribenhos St. Kitts e Nevis e Santa Lúcia argumentaram que o uso das baleias era uma questão de segurança alimentar e desenvolvimento econômico para nações pobres. No entanto, para o próprio Japão, a caça hoje é subsidiada.
Ao que tudo indica, caiu por terra a proposta da presidência da CIB (Comissão Internacional da Baleia) para retomar de forma limitada a atividade baleeira comercial nos próximos dez anos.
Depois de dois dias de negociações sigilosas entre nações que defendem a conservação de baleias e países que já caçam ou pretendem caçá-las, o único consenso na sessão plenária da CIB ocorrida ontem em Agadir, Marrocos, é que não há consenso.
"Acho que é hora de deixar de lado esse documento", disse às demais delegações o ministro Fábio Vaz Pitaluga, do Itamaraty, negociador do Brasil na CIB.
"Não era possível continuar trabalhando com ele, embora algumas coisas do texto talvez possam ser aproveitadas", declarou à Folha.
A posição brasileira se alinha com a da Austrália, que afirmou que o melhor era deixar a proposta para trás.
Ao lado do Brasil também ficaram Argentina, Uruguai, Chile e outros países latino-americanos, que adotam posição conservacionista.
"Coisas estranhas às vezes acontecem em negociações internacionais, mas acho difícil que essa proposta seja retomada nesta reunião", afirmou Pitaluga.
O ministro australiano do Ambiente, Peter Garrett, ressaltou que a decisão de engavetar o documento "não era o fim do mundo".
"Não acho que a CIB tenha se tornado disfuncional", disse Garrett, em direta contradição com o que havia dito à imprensa sobre a "disfuncionalidade" da comissão.
A proposta rejeitada teve o patrocínio dos diplomatas Cristián Maquieira, do Chile, e Anthony Liverpool, de Antígua e Barbuda, respectivamente presidente e vice da CIB. Segundo o texto, o abate dos grandes cetáceos seria permitido ao longo da próxima década, embora com cotas de captura menores do que as praticadas hoje.
Nações baleeiras, além disso, teriam de se submeter ao monitoramento internacional de suas atividades.
As falas na plenária pareciam seguir um script que é velho conhecido dos veteranos de reuniões da CIB.
O Japão, principal país baleeiro, argumentou que os membros da comissão deveriam "respeitar os dados levantados pelo comitê científico da CIB" os quais "tornavam possível a atividade baleeira sustentável".
DECLÍNIO
Curiosamente, contudo, o relatório do comitê científico, apresentado na mesma tarde, mostrou um declínio nas populações de baleias minkes da Antártida, principal alvo dos japoneses.
Os únicos não-baleeiros a apoiar publicamente o Japão foram os países-ilhas do Caribe e do Pacífico, bem como a Tanzânia. Há denúncias de que o Japão arrebanha o apoio dessas nações em troca de ajuda financeira.
Os caribenhos St. Kitts e Nevis e Santa Lúcia argumentaram que o uso das baleias era uma questão de segurança alimentar e desenvolvimento econômico para nações pobres. No entanto, para o próprio Japão, a caça hoje é subsidiada.
Lula inaugura terreno baldio no Pará
O Estadão
No esforço para impulsionar a campanha da petista Ana Júlia Carepa à reeleição no Pará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "inaugurou" ontem no Estado um terreno baldio e comandou um comício em estádio de futebol.
Em Marabá, Lula anunciou, num palanque montado num terreno desocupado da Transamazônica, o "início" da terraplenagem para construção de uma usina siderúrgica da Vale. Após o evento, no entanto, o diretor executivo de Ferrosos da empresa, José Carlos Martins, admitiu que, até o fim do ano, a obra não irá além da terraplenagem.
Ela é parte de uma lista de promessas feitas nas eleições de 2006, no Pará, que dificilmente serão cumpridas. Lula e Ana Júlia prometeram também a pavimentação do trecho paraense da Transamazônica e um plano de desenvolvimento sustentável da BR-163. A entrega das eclusas de Tucuruí ocorrerá em setembro, disse a governadora.
Para mostrar a importância do evento que, segundo Lula, "mudará a história industrial do Estado", assessores de Brasília, da governadora e da Vale providenciaram que uma empreiteira estacionasse no terreno nove retroescavadeiras e 16 caçambas.
Lula e a governadora subiram numa das máquinas para as tradicionais fotos de viagens presidenciais. Nas contas oficiais, a obra da siderúrgica vai gerar 16 mil empregos.
Depois de resistir por três anos a prometer tirar do papel a siderúrgica, disse que a obra ficará pronta em 2013. Até agora, no entanto, quem gastou com o projeto foi o governo do Pará, que pagou um total de R$ 60 milhões em indenizações a 60 fazendeiros ? e por isso está sendo questionado pelo Ministério Público Estadual. Dois deles vão ficar com metade desse valor.
Após o evento, a governadora foi questionada sobre o cronograma das obras da usina. Exaltada, chegou a dizer que elas já tinham começado.
Vaia e protestos. Mais cedo, em Altamira, nem mesmo a presença de Lula evitou que Ana Júlia fosse vaiada por cerca de 10 mil pessoas que lotaram o estádio do Bandeirão, no centro de cidade, onde o presidente defendeu a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Houve ainda uma passeata de cerca de 100 pessoas pelas ruas centrais da cidade. Faixas de protesto foram mostradas e os manifestantes queimaram um boneco gigante de Lula, aos gritos de "Barragem, não. Queremos saúde e educação."
A passagem do presidente foi rápida e teve forte esquema de segurança. Ainda no aeroporto, ao chegar, Lula deu uma entrevista à rádio Vale do Xingu, na qual enumerou os projetos do governo federal para a região ? entre os quais o asfaltamento da Transamazônica (BR 230) e a usina de Belo Monte.
Além de citar o nome de Ana Júlia e pedir ao repórter da rádio que a entrevistasse, Lula aproveitou para promover Dilma Rousseff: "Acho que o povo quer continuidade das coisas que estão acontecendo no País, porque o povo percebe que é uma chance extraordinária de melhorar, definitivamente, a vida do povo".
Ao lado do deputado Paulo Rocha (PT-PA) ? impedido, pela Lei da Ficha Limpa, de disputar o Senado ? o presidente gastou boa parte de seu discurso polemizando com cerca de 20 manifestantes contrários à construção de Belo Monte. Na conversa, Lula ironizou o diretor James Cameron, de Avatar, que criticou a construção de Belo Monte. "Deviam ir tirar o petróleo do Golfo do México", afirmou.
Do Blog: O governo dá motivos para a crítica. Não pensem que não procuro absurdos cometidos por outros partidos, procuro sim, como brasileiro, apartidário e na luta pela moralização total deste país.
No esforço para impulsionar a campanha da petista Ana Júlia Carepa à reeleição no Pará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "inaugurou" ontem no Estado um terreno baldio e comandou um comício em estádio de futebol.
Em Marabá, Lula anunciou, num palanque montado num terreno desocupado da Transamazônica, o "início" da terraplenagem para construção de uma usina siderúrgica da Vale. Após o evento, no entanto, o diretor executivo de Ferrosos da empresa, José Carlos Martins, admitiu que, até o fim do ano, a obra não irá além da terraplenagem.
Ela é parte de uma lista de promessas feitas nas eleições de 2006, no Pará, que dificilmente serão cumpridas. Lula e Ana Júlia prometeram também a pavimentação do trecho paraense da Transamazônica e um plano de desenvolvimento sustentável da BR-163. A entrega das eclusas de Tucuruí ocorrerá em setembro, disse a governadora.
Para mostrar a importância do evento que, segundo Lula, "mudará a história industrial do Estado", assessores de Brasília, da governadora e da Vale providenciaram que uma empreiteira estacionasse no terreno nove retroescavadeiras e 16 caçambas.
Lula e a governadora subiram numa das máquinas para as tradicionais fotos de viagens presidenciais. Nas contas oficiais, a obra da siderúrgica vai gerar 16 mil empregos.
Depois de resistir por três anos a prometer tirar do papel a siderúrgica, disse que a obra ficará pronta em 2013. Até agora, no entanto, quem gastou com o projeto foi o governo do Pará, que pagou um total de R$ 60 milhões em indenizações a 60 fazendeiros ? e por isso está sendo questionado pelo Ministério Público Estadual. Dois deles vão ficar com metade desse valor.
Após o evento, a governadora foi questionada sobre o cronograma das obras da usina. Exaltada, chegou a dizer que elas já tinham começado.
Vaia e protestos. Mais cedo, em Altamira, nem mesmo a presença de Lula evitou que Ana Júlia fosse vaiada por cerca de 10 mil pessoas que lotaram o estádio do Bandeirão, no centro de cidade, onde o presidente defendeu a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Houve ainda uma passeata de cerca de 100 pessoas pelas ruas centrais da cidade. Faixas de protesto foram mostradas e os manifestantes queimaram um boneco gigante de Lula, aos gritos de "Barragem, não. Queremos saúde e educação."
A passagem do presidente foi rápida e teve forte esquema de segurança. Ainda no aeroporto, ao chegar, Lula deu uma entrevista à rádio Vale do Xingu, na qual enumerou os projetos do governo federal para a região ? entre os quais o asfaltamento da Transamazônica (BR 230) e a usina de Belo Monte.
Além de citar o nome de Ana Júlia e pedir ao repórter da rádio que a entrevistasse, Lula aproveitou para promover Dilma Rousseff: "Acho que o povo quer continuidade das coisas que estão acontecendo no País, porque o povo percebe que é uma chance extraordinária de melhorar, definitivamente, a vida do povo".
Ao lado do deputado Paulo Rocha (PT-PA) ? impedido, pela Lei da Ficha Limpa, de disputar o Senado ? o presidente gastou boa parte de seu discurso polemizando com cerca de 20 manifestantes contrários à construção de Belo Monte. Na conversa, Lula ironizou o diretor James Cameron, de Avatar, que criticou a construção de Belo Monte. "Deviam ir tirar o petróleo do Golfo do México", afirmou.
Do Blog: O governo dá motivos para a crítica. Não pensem que não procuro absurdos cometidos por outros partidos, procuro sim, como brasileiro, apartidário e na luta pela moralização total deste país.
terça-feira, 22 de junho de 2010
A resposta está na natureza?
Coluna do Denis Russo Burgierman - Revista Veja
No mês passado, fui assistir a uma palestra da americana Janine Benyus, presidente do Instituto de Biomímica. Biomímica é uma ideia bem interessante. Trata-se de uma área multidisciplinar que mistura arquitetura, engenharia de materiais, design, biologia – a ideia central é buscar inspiração em sistemas naturais para criar materiais ou processos artificiais mais eficazes e sustentáveis. Por exemplo: estudar a química de vegetais ou animais para desenvolver formas de produzir materiais tão eficientes, silenciosas e sem resíduos quanto a produção de proteínas dentro das células.
O evento foi na Marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo, lugar poeirento, quente e sobrenaturalmente fedido. Perguntei a Janine se a biomímica tem alguma ideia para melhorar São Paulo.
– A primeira coisa que você precisa fazer é olhar para a natureza. No caso de São Paulo, qual é a paisagem natural que havia aqui antes de construírem uma cidade? – perguntou ela.
Respondi que era Mata Atlântica. Ela pareceu chocada com a resposta.
– Mata Atlântica? Tem certeza? Isso não parece nada com a Mata Atlântica… Bom, o passo seguinte é entender como a Mata Atlântica funciona, como ela atua no ambiente, e projetar uma cidade que tente cumprir essas mesmas funções ambientais.
Pegue por exemplo as chuvas.
São Paulo fica bem na cabeceira de uma bacia hidrográfica. Explico o que isso quer dizer. Bacia você sabe o que é (deve haver uma de plástico na sua lavanderia). Para resumir, uma bacia é um objeto côncavo. Jogue água na bacia – em qualquer lugar da bacia – e ela irá fatalmente correr até o centro. Jogue água fora da bacia (e por favor me poupe de duplos-sentidos eróticos) e não há chance de essa água entrar. É que a água (como aliás todo líquido e sólido que existem) tem o hábito de ser atraída para baixo pela gravidade. Assim é uma bacia hidrográfica: uma área côncava da superfície que apanha toda a água que cai nela e a empurra para o mesmo lado, morro abaixo.
A cabeceira da bacia – onde São Paulo fica – é a beiradinha dela. É a parede da bacia. É o pedaço mais alto, onde a água começa a rolar. Acrescente a isso o fato de a Serra do Mar ser também o paredão de pedra que breca as nuvens carregadas de água que vêm do Oceano Atlântico. Portanto, a Serra do Mar faz chover muitíssimo. E essa chuva toda despenca no alto da Serra, cai em São Paulo e escorre com uma baita violência, dada a inclinação do terreno. Agora, com as mudanças climáticas, essas chuvas intensas estão aumentando ainda mais.
Quando havia Mata Atlântica aqui, a floresta densa ia lentamente freando essa enxurrada. A água ia espirrando aqui, desviando ali, até chegar lá embaixo tranquila. Mas, como tiramos a mata e no lugar asfaltamos tudo, a água hoje passa que nem esguicho: à toda velocidade. No caminho, vai arrancando casas e esmagando gente e arrancando terra que causa assoreamento lá embaixo. Nos lugares onde há assoreamento, tem enchente.
E como São Paulo lida com as enchentes? Constrói “piscinões”, que são imensas “catedrais subterrâneas”, que acumulam a água e depois vão soltando devagar. Os piscinões também acumulam lixo, terra, ratos, baratas, doenças. São ótimos negócios para as grandes empreiteiras, que além de lucrarem na hora de construí-los, garantem um contrato eterno com a prefeitura, para realizar as limpezas. Sem limpeza, a capacidade do piscinão diminui e as enchentes voltam.
Enfim, piscinão, além de sair caríssimo, causa alívio apenas temporário.
Se a cidade resolvesse usar a biomímica para lidar com seu excesso de águas, faria diferente. Mudaria o solo da cidade para deixá-lo mais parecido com o da Mata Atlântica. O piso e os telhados precisariam ser mais rugosos e irregulares, para reduzir a velocidade da água. Precisaríamos de mais trechos de terra exposta, que é permeável. Precisaríamos de uma cidade que fizesse o trabalho da floresta que existia antes dela.
Esse jeito de pensar está ganhando espaço em São Paulo. Em breve um grupo de pesquisadores ligados à USP vai divulgar seu projeto de “renaturalização do Rio Anhangabaú”: uma tentativa de evitar a construção de um piscinão bem no centro da cidade dando vida a um rio que hoje está coberto de asfalto. “Vai ser mais barato e mais eficiente que o piscinão”, adianta o engenheiro Sadalla Domingo, idealizador do projeto. O melhor remédio para as enchentes paulistanas pode ser “reconstruir” seus velhos rios
Do Blog: Denis Russo Burgierman sempre escreve umas coisas legais e indica o site !sso Não É Normal, se ele indica, indico também.
No mês passado, fui assistir a uma palestra da americana Janine Benyus, presidente do Instituto de Biomímica. Biomímica é uma ideia bem interessante. Trata-se de uma área multidisciplinar que mistura arquitetura, engenharia de materiais, design, biologia – a ideia central é buscar inspiração em sistemas naturais para criar materiais ou processos artificiais mais eficazes e sustentáveis. Por exemplo: estudar a química de vegetais ou animais para desenvolver formas de produzir materiais tão eficientes, silenciosas e sem resíduos quanto a produção de proteínas dentro das células.
O evento foi na Marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo, lugar poeirento, quente e sobrenaturalmente fedido. Perguntei a Janine se a biomímica tem alguma ideia para melhorar São Paulo.
– A primeira coisa que você precisa fazer é olhar para a natureza. No caso de São Paulo, qual é a paisagem natural que havia aqui antes de construírem uma cidade? – perguntou ela.
Respondi que era Mata Atlântica. Ela pareceu chocada com a resposta.
– Mata Atlântica? Tem certeza? Isso não parece nada com a Mata Atlântica… Bom, o passo seguinte é entender como a Mata Atlântica funciona, como ela atua no ambiente, e projetar uma cidade que tente cumprir essas mesmas funções ambientais.
Pegue por exemplo as chuvas.
São Paulo fica bem na cabeceira de uma bacia hidrográfica. Explico o que isso quer dizer. Bacia você sabe o que é (deve haver uma de plástico na sua lavanderia). Para resumir, uma bacia é um objeto côncavo. Jogue água na bacia – em qualquer lugar da bacia – e ela irá fatalmente correr até o centro. Jogue água fora da bacia (e por favor me poupe de duplos-sentidos eróticos) e não há chance de essa água entrar. É que a água (como aliás todo líquido e sólido que existem) tem o hábito de ser atraída para baixo pela gravidade. Assim é uma bacia hidrográfica: uma área côncava da superfície que apanha toda a água que cai nela e a empurra para o mesmo lado, morro abaixo.
A cabeceira da bacia – onde São Paulo fica – é a beiradinha dela. É a parede da bacia. É o pedaço mais alto, onde a água começa a rolar. Acrescente a isso o fato de a Serra do Mar ser também o paredão de pedra que breca as nuvens carregadas de água que vêm do Oceano Atlântico. Portanto, a Serra do Mar faz chover muitíssimo. E essa chuva toda despenca no alto da Serra, cai em São Paulo e escorre com uma baita violência, dada a inclinação do terreno. Agora, com as mudanças climáticas, essas chuvas intensas estão aumentando ainda mais.
Quando havia Mata Atlântica aqui, a floresta densa ia lentamente freando essa enxurrada. A água ia espirrando aqui, desviando ali, até chegar lá embaixo tranquila. Mas, como tiramos a mata e no lugar asfaltamos tudo, a água hoje passa que nem esguicho: à toda velocidade. No caminho, vai arrancando casas e esmagando gente e arrancando terra que causa assoreamento lá embaixo. Nos lugares onde há assoreamento, tem enchente.
E como São Paulo lida com as enchentes? Constrói “piscinões”, que são imensas “catedrais subterrâneas”, que acumulam a água e depois vão soltando devagar. Os piscinões também acumulam lixo, terra, ratos, baratas, doenças. São ótimos negócios para as grandes empreiteiras, que além de lucrarem na hora de construí-los, garantem um contrato eterno com a prefeitura, para realizar as limpezas. Sem limpeza, a capacidade do piscinão diminui e as enchentes voltam.
Enfim, piscinão, além de sair caríssimo, causa alívio apenas temporário.
Se a cidade resolvesse usar a biomímica para lidar com seu excesso de águas, faria diferente. Mudaria o solo da cidade para deixá-lo mais parecido com o da Mata Atlântica. O piso e os telhados precisariam ser mais rugosos e irregulares, para reduzir a velocidade da água. Precisaríamos de mais trechos de terra exposta, que é permeável. Precisaríamos de uma cidade que fizesse o trabalho da floresta que existia antes dela.
Esse jeito de pensar está ganhando espaço em São Paulo. Em breve um grupo de pesquisadores ligados à USP vai divulgar seu projeto de “renaturalização do Rio Anhangabaú”: uma tentativa de evitar a construção de um piscinão bem no centro da cidade dando vida a um rio que hoje está coberto de asfalto. “Vai ser mais barato e mais eficiente que o piscinão”, adianta o engenheiro Sadalla Domingo, idealizador do projeto. O melhor remédio para as enchentes paulistanas pode ser “reconstruir” seus velhos rios
Do Blog: Denis Russo Burgierman sempre escreve umas coisas legais e indica o site !sso Não É Normal, se ele indica, indico também.
O que caracteriza o ser humano
Portal UOL - GEO
Um feto no 7º mês de gestação. Sabe-se com certeza que é um menino. Mas ele será delicado ou robusto? Corajoso ou medroso? Experimentos rebuscados permitem aos cientistas provar que experiências no ventre materno marcam um ser humano muito mais do que se acreditava.
Um bebê cresce no ventre. Em poucas semanas ele deverá vir ao mundo. E depois? Como ele se desenvolverá? Será delicado ou robusto, magrinho ou obeso, agitado ou calmo? Que doenças o ameaçarão? Como ele enfrentará estresse e pressão? Vai chorar ao escutar música ou dormirá como um anjinho? Pode parecer incrível, mas as respostas a essas perguntas não são ditadas apenas por genes e experiências de vida. Elas já são influenciadas pelas condições de vida no útero materno. Há algum tempo, cientistas ganham novos conhecimentos sobre como a primeira morada do ser humano marca sua existência, em parte, até a idade avançada
UM SER HUMANO SE DESENVOLVE EM 40 SEMANAS, SEGUINDO UM PLANO-MESTRE QUE EVOLUIU DURANTE MILÊNIOS
As fases da evolução embrionária são predeterminadas nos mínimos detalhes. Após a fecundação, o encontro do óvulo com o espermatozoide (1), a célula-mãe se divide e, dois dias depois, origina uma “bola” de oito células (2), que contêm características genéticas idênticas. No 12º dia, o blastócito (a “bola” de células) se fixa na membrana da parede uterina (3) que, a partir de agora, o alimentará com sangue. Na quarta semana (4), o embrião já apresenta sinais do cérebro e da coluna vertebral. A partir da 5ª semana (5), formam-se lentamente o rosto e as mãos.
É surpreendente: as mães das crianças atentas tinham assistido regularmente ao seriado durante a gravidez, enquanto as mães dos outros recém-nascidos nunca haviam se interessado por ele. Hepper estima que o ser humano já seja capaz de memorizar uma melodia enquanto ainda está no ventre materno. Portanto, o feto em formação já teria uma memória antes de nascer, e estaria apto a aprender.
Até os anos de 1970, a criança no ventre materno ainda era subestimada. Acreditava-se que ela era surda e cega; e certamente não lhe davam o crédito de ter uma memória, quanto mais uma capacidade de aprendizagem. Em razão disso, muitos médicos acreditavam que os bebês prematuros não sentiam dor e os operavam sem anestesia.
Mas os progressos tecnológicos das últimas décadas produziram um retrato completamente diferente da vida no útero. As imagens de ultrassom hoje são tão nítidas como fotografias. E procedimentos modernos permitem que os pesquisadores meçam com precisão as atividades cardíacas de fetos. Com destreza cada vez maior, os cientistas desvendam as experiências pré-natais de bebês de poucos dias de idade.
As análises revelam que eles já participam da vida ao seu redor enquanto ainda se encontram no útero. Desse modo, estão perfeitamente bem preparados para as condições que os aguardam quando vêm ao mundo. Para explorar como, exatamente, isso ocorre, os cientistas estão examinando uma gama de experiências pré-natais. O que o feto escuta? O que cheira e saboreia? Como aprende, e o que sente?
Seus órgãos dos sentidos se desenvolvem na mesma sequência de todos os mamíferos e aves. Primeiramente, forma-se o sentido de equilíbrio e movimento. Em seguida vêm o tato, o olfato e o paladar. Por fim, desenvolve-se a audição; por último, a visão. Todos os órgãos sensoriais começam a funcionar entre o sexto e o sétimo mês de gestação.
A AUDIÇÃO PROPICIA um importante contato com o mundo externo. Pesquisadores descobriram que os fetos já reagem a sons fortes ou incomuns a partir da 27ª semana: seus coraçõezinhos se aceleram, eles se encolhem, como se tivessem levado um susto, ou piscam com as pálpebras. De início, isso só acontece mediante estímulos altos, de 100 decibéis, o que corresponde ao barulho de um martelo pneumático. Nas semanas seguintes, a audição fica mais sensível.
A psicóloga francesa Carolyn Granier-Deferre, da Universidade Paris Descartes, tocou uma curta melodia em piano para fetos entre a 34ª e a 39ª semanas de vida e pediu às mães que usassem fones de ouvido. Desse modo, a pesquisadora impediu que as mães escutassem a música e transmitissem suas sensações aos fetos.
Enquanto a melodia soava, Granier-Deferre mediu a frequência cardíaca dos bebês. Em seguida, a sequência de tons foi repetida tantas vezes até que seus batimentos cardíacos retornaram à frequência normal, um sinal de que os fetos tinham se habituado à melodia. Depois, ao tocar outro trecho de música, os batimentos imediatamente voltaram a se alterar. Granier-Deferre concluiu que os fetos tinham “memorizado” o primeiro estímulo e sabiam diferenciá-lo do segundo.
Biologicamente, o aprendizado pré- -natal faz sentido: o feto já se habitua a ruídos que, muito provavelmente, também escutará após o nascimento.
Desse modo, ele não ficará completamente estressado diante do grande número de novos estímulos sensoriais quando chegar ao mundo.
Veja a matéria na íntegra em: revistageo.uol.com.br/cultura-expedicoes/14/artigo176142-3.asp
Um feto no 7º mês de gestação. Sabe-se com certeza que é um menino. Mas ele será delicado ou robusto? Corajoso ou medroso? Experimentos rebuscados permitem aos cientistas provar que experiências no ventre materno marcam um ser humano muito mais do que se acreditava.
Um bebê cresce no ventre. Em poucas semanas ele deverá vir ao mundo. E depois? Como ele se desenvolverá? Será delicado ou robusto, magrinho ou obeso, agitado ou calmo? Que doenças o ameaçarão? Como ele enfrentará estresse e pressão? Vai chorar ao escutar música ou dormirá como um anjinho? Pode parecer incrível, mas as respostas a essas perguntas não são ditadas apenas por genes e experiências de vida. Elas já são influenciadas pelas condições de vida no útero materno. Há algum tempo, cientistas ganham novos conhecimentos sobre como a primeira morada do ser humano marca sua existência, em parte, até a idade avançada
UM SER HUMANO SE DESENVOLVE EM 40 SEMANAS, SEGUINDO UM PLANO-MESTRE QUE EVOLUIU DURANTE MILÊNIOSAs fases da evolução embrionária são predeterminadas nos mínimos detalhes. Após a fecundação, o encontro do óvulo com o espermatozoide (1), a célula-mãe se divide e, dois dias depois, origina uma “bola” de oito células (2), que contêm características genéticas idênticas. No 12º dia, o blastócito (a “bola” de células) se fixa na membrana da parede uterina (3) que, a partir de agora, o alimentará com sangue. Na quarta semana (4), o embrião já apresenta sinais do cérebro e da coluna vertebral. A partir da 5ª semana (5), formam-se lentamente o rosto e as mãos.
É surpreendente: as mães das crianças atentas tinham assistido regularmente ao seriado durante a gravidez, enquanto as mães dos outros recém-nascidos nunca haviam se interessado por ele. Hepper estima que o ser humano já seja capaz de memorizar uma melodia enquanto ainda está no ventre materno. Portanto, o feto em formação já teria uma memória antes de nascer, e estaria apto a aprender.
Até os anos de 1970, a criança no ventre materno ainda era subestimada. Acreditava-se que ela era surda e cega; e certamente não lhe davam o crédito de ter uma memória, quanto mais uma capacidade de aprendizagem. Em razão disso, muitos médicos acreditavam que os bebês prematuros não sentiam dor e os operavam sem anestesia.
Mas os progressos tecnológicos das últimas décadas produziram um retrato completamente diferente da vida no útero. As imagens de ultrassom hoje são tão nítidas como fotografias. E procedimentos modernos permitem que os pesquisadores meçam com precisão as atividades cardíacas de fetos. Com destreza cada vez maior, os cientistas desvendam as experiências pré-natais de bebês de poucos dias de idade.
As análises revelam que eles já participam da vida ao seu redor enquanto ainda se encontram no útero. Desse modo, estão perfeitamente bem preparados para as condições que os aguardam quando vêm ao mundo. Para explorar como, exatamente, isso ocorre, os cientistas estão examinando uma gama de experiências pré-natais. O que o feto escuta? O que cheira e saboreia? Como aprende, e o que sente?
Seus órgãos dos sentidos se desenvolvem na mesma sequência de todos os mamíferos e aves. Primeiramente, forma-se o sentido de equilíbrio e movimento. Em seguida vêm o tato, o olfato e o paladar. Por fim, desenvolve-se a audição; por último, a visão. Todos os órgãos sensoriais começam a funcionar entre o sexto e o sétimo mês de gestação.
A AUDIÇÃO PROPICIA um importante contato com o mundo externo. Pesquisadores descobriram que os fetos já reagem a sons fortes ou incomuns a partir da 27ª semana: seus coraçõezinhos se aceleram, eles se encolhem, como se tivessem levado um susto, ou piscam com as pálpebras. De início, isso só acontece mediante estímulos altos, de 100 decibéis, o que corresponde ao barulho de um martelo pneumático. Nas semanas seguintes, a audição fica mais sensível.
A psicóloga francesa Carolyn Granier-Deferre, da Universidade Paris Descartes, tocou uma curta melodia em piano para fetos entre a 34ª e a 39ª semanas de vida e pediu às mães que usassem fones de ouvido. Desse modo, a pesquisadora impediu que as mães escutassem a música e transmitissem suas sensações aos fetos.
Enquanto a melodia soava, Granier-Deferre mediu a frequência cardíaca dos bebês. Em seguida, a sequência de tons foi repetida tantas vezes até que seus batimentos cardíacos retornaram à frequência normal, um sinal de que os fetos tinham se habituado à melodia. Depois, ao tocar outro trecho de música, os batimentos imediatamente voltaram a se alterar. Granier-Deferre concluiu que os fetos tinham “memorizado” o primeiro estímulo e sabiam diferenciá-lo do segundo.
Biologicamente, o aprendizado pré- -natal faz sentido: o feto já se habitua a ruídos que, muito provavelmente, também escutará após o nascimento.
Desse modo, ele não ficará completamente estressado diante do grande número de novos estímulos sensoriais quando chegar ao mundo.
Veja a matéria na íntegra em: revistageo.uol.com.br/cultura-expedicoes/14/artigo176142-3.asp
Bibliotecas Comunitárias contra o analfabetismo funcional
Portal UOL
A liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos são valores humanos fundamentais e só podem ser alcançados quando todos os cidadãos estiverem informados para exercerem seus direitos democráticos e para desempenhar em um papel ativo na sociedade. (manifesto da UNESCO).
Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) , do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontaram que o Brasil tem o grande desafio de combater o chamado analfabetismo funcional, que atinge 25% da população com mais de 15 anos, entre outras agravantes, constitui um problema silencioso e perverso que afeta o dia a dia nas empresas.
Neste universo não estamos incluindo pessoas que nunca foram à escola, mas sim aquelas que sabem ler, escrever e contar; chegam a ocupar cargos administrativos, porém não conseguem compreender a palavra escrita. Computadores provocam calafrios e manuais de procedimentos são ignorados; mesmo aqueles que ensinam uma nova tarefa ou a operar uma máquina. No entanto, este perfil de profissionais prefere ouvir explicações da boca de colegas.
Calcula-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais somem 70% da população economicamente ativa. O resultado não é surpreendente, uma vez que apenas 20% da população brasileira possui escolaridade mínima obrigatória (ensino fundamental e ensino médio). Para 80% dos brasileiros, o ensino fundamental completo garante somente um nível básico de leitura e de escrita.
No mundo todo há entre 800 e 900 milhões de analfabetos funcionais, ou seja, uma camada de pessoas com menos de quatro anos de escolarização; mas pode-se encontrar também neste meio, pessoas com formação universitária e exercendo funções-chave em empresas e instituições, tanto privadas quanto públicas. Entre suas características, não têm as habilidades de leitura compreensiva, escrita e cálculos para fazer frente às necessidades de profissionalização e tampouco, da vida sociocultural às necessidades de profissionalização e tampouco, da vida sociocultural.
Muito se tem que fazer para reverter esse quadro, mas algumas iniciativas como a criação de bibliotecas comunitárias pelo país tem tido resultados significativos e atraído um público cada vez maior para o mundo da leitura.
A liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos são valores humanos fundamentais e só podem ser alcançados quando todos os cidadãos estiverem informados para exercerem seus direitos democráticos e para desempenhar em um papel ativo na sociedade. (manifesto da UNESCO).
Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) , do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontaram que o Brasil tem o grande desafio de combater o chamado analfabetismo funcional, que atinge 25% da população com mais de 15 anos, entre outras agravantes, constitui um problema silencioso e perverso que afeta o dia a dia nas empresas.
Neste universo não estamos incluindo pessoas que nunca foram à escola, mas sim aquelas que sabem ler, escrever e contar; chegam a ocupar cargos administrativos, porém não conseguem compreender a palavra escrita. Computadores provocam calafrios e manuais de procedimentos são ignorados; mesmo aqueles que ensinam uma nova tarefa ou a operar uma máquina. No entanto, este perfil de profissionais prefere ouvir explicações da boca de colegas.
Calcula-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais somem 70% da população economicamente ativa. O resultado não é surpreendente, uma vez que apenas 20% da população brasileira possui escolaridade mínima obrigatória (ensino fundamental e ensino médio). Para 80% dos brasileiros, o ensino fundamental completo garante somente um nível básico de leitura e de escrita.
No mundo todo há entre 800 e 900 milhões de analfabetos funcionais, ou seja, uma camada de pessoas com menos de quatro anos de escolarização; mas pode-se encontrar também neste meio, pessoas com formação universitária e exercendo funções-chave em empresas e instituições, tanto privadas quanto públicas. Entre suas características, não têm as habilidades de leitura compreensiva, escrita e cálculos para fazer frente às necessidades de profissionalização e tampouco, da vida sociocultural às necessidades de profissionalização e tampouco, da vida sociocultural.
Muito se tem que fazer para reverter esse quadro, mas algumas iniciativas como a criação de bibliotecas comunitárias pelo país tem tido resultados significativos e atraído um público cada vez maior para o mundo da leitura.
Presos gaúchos testam tornozeleira eletrônica
Revista Veja
Porto Alegre - A Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) do Rio Grande do Sul começou a testar hoje as tornozeleiras eletrônicas. Quinze condenados em regime aberto, de dois institutos penais (Porto Alegre e Viamão), vão utilizar o equipamento voluntariamente durante 30 dias.
A cada minuto, a tornozeleira emite um sinal semelhante aos usados em celulares e aparelhos de radiofrequência, identificando a posição do portador e facilitando a identificação de eventuais tentativas de fuga.
O equipamento foi desenvolvido por uma empresa brasileira e usa tecnologia norte-americana. A carga da bateria da tornozeleira dura entre 24 e 48 horas e exige um tempo médio de recarga de uma hora. Depois da experiência inicial, o governo gaúcho deve publicar edital de licitação para a compra dos aparelhos. A intenção é ter cinco mil condenados de baixa periculosidade, dos regimes aberto e semiaberto, usando o equipamento até 2014.
Porto Alegre - A Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) do Rio Grande do Sul começou a testar hoje as tornozeleiras eletrônicas. Quinze condenados em regime aberto, de dois institutos penais (Porto Alegre e Viamão), vão utilizar o equipamento voluntariamente durante 30 dias.
A cada minuto, a tornozeleira emite um sinal semelhante aos usados em celulares e aparelhos de radiofrequência, identificando a posição do portador e facilitando a identificação de eventuais tentativas de fuga.
O equipamento foi desenvolvido por uma empresa brasileira e usa tecnologia norte-americana. A carga da bateria da tornozeleira dura entre 24 e 48 horas e exige um tempo médio de recarga de uma hora. Depois da experiência inicial, o governo gaúcho deve publicar edital de licitação para a compra dos aparelhos. A intenção é ter cinco mil condenados de baixa periculosidade, dos regimes aberto e semiaberto, usando o equipamento até 2014.
Ribamar Oliveira, do jornal Valor Econômico, colheu essas avaliações num portal oficial, do próprio governo
Do Blog de Reinaldo Azevedo
1 - a política de reforma agrária do governo Lula não alterou a estrutura fundiária do país nem assegurou aos assentamentos assistência técnica, qualificação, infra-estrutura, crédito e educação;
2 - a qualidade dos assentamentos é baixa;
3 - os programas oficiais não elevam a renda dos agricultores, que ficam dependendo do Bolsa Família;
4 - imposições da legislação trabalhista no campo acabam provocando fluxo migratório para as cidades;
5 - a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não definiu uma política de curto ou médio prazo para a formação de um estoque estratégico e regulador de produtos agrícolas.
6 - em futuro próximo, a produção de biodiesel não será economicamente viável;
7 - a reconstrução de uma indústria nacional de defesa voltada para o mercado interno, prevista na Estratégia Nacional de Defesa, não se justifica;
8 - a educação brasileira avançou muito pouco e apresenta os mesmos índices de 2003 em várias áreas:
9 - é baixa a qualidade da educação em todos os níveis; os que concluem os cursos não têm o domínio dos conteúdos, e as comparações com indicadores internacionais mostram deficiências graves no Brasil;
10 - O analfabetismo funcional, entre jovens e adultos, está em 21% na PNAD de 2008, uma redução pequena com relação à PNAD de 2003, que era de 24,8%. O número absoluto de analfabetos reduziu-se, no mesmo período, de 14,8 para 14,2 milhões, o que aponta a manutenção do problema.
Do Blog: o governo Lula é uma farsa, gastando 7,4 bilhões em propaganda, qualquer um acreditaria que nunca na história deste paiz...
1 - a política de reforma agrária do governo Lula não alterou a estrutura fundiária do país nem assegurou aos assentamentos assistência técnica, qualificação, infra-estrutura, crédito e educação;
2 - a qualidade dos assentamentos é baixa;
3 - os programas oficiais não elevam a renda dos agricultores, que ficam dependendo do Bolsa Família;
4 - imposições da legislação trabalhista no campo acabam provocando fluxo migratório para as cidades;
5 - a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não definiu uma política de curto ou médio prazo para a formação de um estoque estratégico e regulador de produtos agrícolas.
6 - em futuro próximo, a produção de biodiesel não será economicamente viável;
7 - a reconstrução de uma indústria nacional de defesa voltada para o mercado interno, prevista na Estratégia Nacional de Defesa, não se justifica;
8 - a educação brasileira avançou muito pouco e apresenta os mesmos índices de 2003 em várias áreas:
9 - é baixa a qualidade da educação em todos os níveis; os que concluem os cursos não têm o domínio dos conteúdos, e as comparações com indicadores internacionais mostram deficiências graves no Brasil;
10 - O analfabetismo funcional, entre jovens e adultos, está em 21% na PNAD de 2008, uma redução pequena com relação à PNAD de 2003, que era de 24,8%. O número absoluto de analfabetos reduziu-se, no mesmo período, de 14,8 para 14,2 milhões, o que aponta a manutenção do problema.
Do Blog: o governo Lula é uma farsa, gastando 7,4 bilhões em propaganda, qualquer um acreditaria que nunca na história deste paiz...
Cientistas estudarão Ozzy para saber como ele sobreviveu às drogas
Revista Veja
Ozzy Osbourne será objeto de um estudo cientifíco sério. Pesquisadores querem descobrir como o cantor - que abusou de álcool e drogas durante muitos anos - ainda está vivo.
O ex-vocalista do Black Sabbath terá seu genoma completamente codificado, de acordo com o site Sky News. A empresa responsável pelo estudo - que deve custar cerca de 27.000 libras - quer entender por que algumas pessoas podem ter uma vida de excessos, e outras não.
Os resultados da pesquisa devem ficar prontos em três meses. Aos 62 anos, Ozzy admitiu em entrevista recente que o fato de estar vivo é quase "um milagre" e, por isso, decidiu doar seu corpo à ciência, após sua morte.
Ozzy Osbourne será objeto de um estudo cientifíco sério. Pesquisadores querem descobrir como o cantor - que abusou de álcool e drogas durante muitos anos - ainda está vivo.
O ex-vocalista do Black Sabbath terá seu genoma completamente codificado, de acordo com o site Sky News. A empresa responsável pelo estudo - que deve custar cerca de 27.000 libras - quer entender por que algumas pessoas podem ter uma vida de excessos, e outras não.
Os resultados da pesquisa devem ficar prontos em três meses. Aos 62 anos, Ozzy admitiu em entrevista recente que o fato de estar vivo é quase "um milagre" e, por isso, decidiu doar seu corpo à ciência, após sua morte.
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